sexta-feira, 19 de julho de 2024

19.jul.2024 às 8h11
Atualizado: 19.jul.2024 às 11h32
Pedro S. Teixeira
São Paulo

Falha em sistema da Microsoft gerou apagão; no Brasil, bancos têm instabilidade e voos atrasam.No Brasil, voos da Azul sofreram atrasos; atualização defeituosa de provedor de segurança Crowdstrike derrubou sistema por trás do Windows

Milhares de computadores com Windows apresentaram a temida tela azul que indica falha de sistema ao serem inicializados na madrugada desta sexta-feira (19). A pane generalizada afetou bancos, companhias aéreas, emissoras de TV, supermercados e muitos outros negócios em todo o mundo. No Brasil, os primeiros relatos têm a ver com instabilidades em instituições financeiras

Voos da empresa aérea Azul também sofreram atrasos, segundo a companhia: "Devido a intermitência no serviço global do sistema de gestão de reservas, alguns voos podem sofrer atrasos pontuais". A recomendação era que clientes que não realizaram check-in se dirigissem ao balcão da companhia, no aeroporto de Viracopos.

A crise na estrutura digital teve como causa uma atualização defeituosa do provedor de cibersegurança CrowdStrike, que atende a Microsoft, segundo nota do gigante da tecnologia. O erro deixa os PCs e servidores afetados desconectados, o que força as máquinas a um loop de recuperação de sistema, impedindo que as máquinas iniciem corretamente.

O serviço da CrowdStrike é utilizado por muitas empresas ao redor do mundo para gerenciar a segurança de computadores e servidores com Windows, e tem ganhado ainda mais espaço com a proibição da empresa russa Kaspersky de atuar nos Estados Unidos, por receio do Casa Branca de espionagem do Kremlim.


Anúncio de que o mercado ficará fechado por problemas de TI, após apagão digital generalizado

Anúncio de que um mercado australiano em Camberra ficará fechado por problemas de TI, após apagão digital generalizado - AAP via REUTERS

Em nota enviada à Folha, a CrowdStrike afirma que os clientes que trabalham com Mac e Linux não foram afetados e que o incidente não foi causado por um ataque cibernético. "O problema foi identificado, isolado e uma correção foi implantada. Indicamos aos clientes o portal de suporte para obter as atualizações mais recentes."

Como as versões mais recentes do Windows são adotadas em 95% dos computadores do mundo, outras empresas de nuvem como a Amazon Web Services (AWS) também relataram falhas de serviço durante esta madrugada.

Em paralelo, a Microsoft também divulgou uma falha no pacote Microsoft 365, que hospeda versões digitais de Word, Excel, PowerBI e Powerpoint. O problema estaria sendo solucionado, segundo nota da big tech. O acesso foi restabelecido às 11h27, de acordo com a agência Reuters.

Até as 8h desta sexta, não havia relatos de voos afetados no Brasil, mas clientes de bancos como Banco do Brasil, Bradesco, Banco Pan, Neon e Next relatavam instabilidade.

Apagão global atrasa voos e gera caos em aeroportos ao redor do mundo. As principais companhias aéreas dos EUA interromperam voos nesta sexta-feira (19) citando problemas de comunicação, enquanto outras transportadoras, empresas de mídia, bancos e firmas de telecomunicações ao redor do mundo também relataram falhas de sistema que interromperam suas operações.

American Airlines, Delta Airlines, United Airlines e Allegiant Air suspenderam voos menos de uma hora depois que a Microsoft anunciou ter resolvido uma falha em seus serviços de nuvem que impactou várias companhias aéreas de baixo custo. O maior operador ferroviário do Reino Unido anunciou que foi afetado por problemas informáticos "de grande escala", que podem causar cancelamentos de última hora.

"Estamos enfrentando problemas informáticos de grande escala em toda a nossa rede", escreveram as quatro companhias ferroviárias do grupo Govia Thameslink Railway na rede social X.

O aeroporto internacional de Berlim suspendeu seus voos devido a um "problema técnico", indicou uma porta-voz do aeródromo alemão à AFP. "Há atrasos no check-in e os voos tiveram que ser cancelados até as 10h (8h GMT)", declarou a porta-voz, que acrescentou que por enquanto não podia precisar quando o tráfego seria retomado.

Na Austrália, empresas de mídia, bancos e telecomunicações sofreram interrupções. A companhia aérea holandesa KLM anunciou que suspendeu a maior parte de suas operações devido à falha informática global.

"KLM, assim como outras companhias aéreas e aeroportos, também foi afetada pela falha informática global, tornando impossível gerenciar os voos", indicou a empresa em um comunicado, no qual acrescentou que se vê "obrigada a suspender a maior parte das operações".

Na Suíça, o aeroporto de Zurique, o maior do país, também suspendeu os pousos. O site colaborativo Downdetector mostrou interrupções em vários bancos e empresas de telecomunicações. O apagão cibernético também afetou hospitais nos Países Baixos e a Bolsa de Valores de Londres.

A programação do canal britânico Sky News foi interrompida. Na Austrália, o canal nacional ABC anunciou que seus sistemas foram afetados por uma falha "grave".

A empresa australiana de telecomunicações Telstra indicou que os cortes foram provocados por "problemas globais" que afetaram o software fornecido pela Microsoft e pela empresa de segurança cibernética CrowdStrike.

A falha global "perturba as operações informáticas" de Paris-2024, admitiu o comitê de organização dos Jogos Olímpicos, que serão abertos dentro de uma semana na capital francesa. "Paris-2024 foi informado de problemas técnicos mundiais que afetam os programas da Microsoft. Esses problemas perturbam as operações informáticas ", disse o comitê em um comunicado.

Não havia informações que sugerissem que a interrupção fosse um incidente de segurança cibernética, disse o escritório da Coordenadora Nacional de Segurança Cibernética da Austrália, Michelle McGuinness, em uma postagem no X.

As interrupções se espalharam amplamente, com a Espanha relatando um "incidente de computador" em todos os seus aeroportos, enquanto a Ryanair, a maior companhia aérea da Europa em número de passageiros, alertou os passageiros sobre possíveis interrupções que, segundo ela, afetariam "todas as companhias aéreas operando na rede", embora não especificasse a natureza das interrupções.

O provedor de serviços em nuvem AWS disse em um comunicado que estava "investigando relatos de problemas de conectividade com instâncias Windows EC2 e Workspaces dentro da AWS."

Com AFP e Reuters

Apagão tecnológico evidencia concentração e problema de resiliência
Ações da CrowdStrike parecem vulneráveis, mas empresas com modelo de negócios similar também podem ser afetadas

19.jul.2024 às 10h25
Camilla Palladino - Financial Times

Leva, em média, 62 minutos para adversários mal-intencionados derrubarem um negócio, alerta o site da CrowdStrike.

A empresa de cibersegurança responsável por proteger 29 mil clientes de hackers conseguiu ela mesmo derrubar grande parte das empresas do mundo todo. A culpa parece ser de uma única atualização defeituosa que foi enviada para seu programa Falcon Sensor para usuários da Microsoft em todo o mundo.

Não está claro quantos clientes, exatamente, estão atualmente presos olhando para a "tela azul da morte". Parece ser um fenômeno global, com empresas na Ásia, Europa e nos EUA relatando problemas.


Monitores exibem voos cancelados e atrasados no aeroporto de Arlington, nos Estados Unidos, durante apagão tecnológico - Mandel Ngan - 19.jul.2024/AFP

As consequências parecem abranger grandes partes da economia mundial, afetando companhias aéreas, trens, bancos, emissoras e quase tudo mais. As empresas envolvidas estão trabalhando em uma solução, mas relatórios iniciais sugerem que o processo é tanto manual quanto complexo, o que significa que trazer PCs travados de volta à vida pode ser um processo trabalhoso.

As empresas envolvidas, é claro, sofrerão um impacto. Uma falha tão generalizada, no mínimo, levantará sérias questões sobre controle de qualidade e processos de teste internos. Isso deve assustar os clientes.

As ações também parecem vulneráveis. A CrowdStrike vem crescendo rapidamente, mais do que dobrando sua capitalização de mercado nos últimos 12 meses para US$ 83,5 bilhões. A empresa caiu 13% nas negociações pré-mercado; haverá mais por vir.

Outras empresas, operando em um modelo de negócios similar, também podem ser afetadas. Os clientes estarão atentos ao risco de terceirizar funções tão críticas —especialmente aqueles que podem enviar atualizações automaticamente para sistemas de clientes.

Um resultado pode ser a expansão das equipes internas de TI. Outro deve ser buscar uma gama maior de fornecedores de software e outras aplicações de segurança. 

Apagão global atrasa voos e gera caos em aeroportos ao redor do mundo


O incidente também exacerbará preocupações sobre o risco de concentração do setor de cibersegurança. Os 15 principais fornecedores em todo o mundo têm uma participação de 62% no mercado de tecnologias, produtos e serviços de cibersegurança, de acordo com um relatório da SecurityScorecard.

A proteção de endpoints (pontos de extremidade), o negócio de garantir a segurança de PCs, notebooks e outros dispositivos, parece ser ainda mais concentrada.

A CrowdStrike, líder de mercado, aumentou sua participação de mercado na proteção de endpoint moderna de 13,8% em julho de 2021 para 17,7% em junho de 2022, de acordo com um relatório da IDC. Outras fontes estimam um valor ainda mais alto.

Enquanto o Conselho de Revisão de Segurança Cibernética dos EUA dissecar grandes ataques cibernéticos para aprender lições, não há um órgão óbvio encarregado de analisar essas falhas técnicas para melhorar a resiliência da infraestrutura tecnológica global, disse Ciaran Martin, ex-chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido.

A atual interrupção global deve incentivar os clientes —e talvez até governos e reguladores— a pensar mais sobre como construir diversificação e redundância em seus sistemas.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Quem ganha e quem perde no mercado no caso da vitória de Trump?

Analistas explicam que possível vitória de Trump tende a pressionar a curva de juros futuro dos EUA devido a uma postura mais protecionista do republicano

EUA: vitória de Trump poderá fortalecer ainda mais o dólar (Anna Moneymaker/AFP)

Rebecca Crepaldi - Rebecca Crepaldi

Publicado em 15 de julho de 2024 às 16h30.

Trump já era o favorito, mas o ataque a tiros ao ex-presidente Donald Trump aumentou as apostas em sua vitória nas eleições presidenciais deste ano dos Estados Unidos. Antes do atentado, o mercado precificava 55% de chance. Momentos após a tentativa de assassinato, o número saltou para 70%. Mas, afinal, quem perde e quem ganha no mercado com a possível eleição? Alguns ativos, como o título de 10 anos do Tesouro americano, o dólar e as bolsas americanas, já sentem os reflexos.

O número trata-se do mercado de apostas, como enfatiza William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, e não do mercado “real” de pesquisas com eleitores. No entanto, ele diz que, sim, o atentado coloca um peso na vitória de Trump visto os últimos acontecimentos. “De um lado você tem um candidato que toma um tiro e se levanta com o punho cerrado. Do outro, você tem um que confunde nomes, tropeça e tem dificuldade para falar. A discrepância começa a ficar muito grande.”

Caso a vitória de Trump se concretize em novembro, o mercado irá acompanhar, principalmente, a trajetória dos juros e da inflação. Isso porque, segundo Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad, Trump traz em seus discursos uma postura mais protecionista, como o desejo por tarifas mais fortes sobre as importações. O movimento, por sua vez, poderia aumentar os custos ao produtor e se refletiria em uma pressão inflacionária, o que também dificultaria o movimento de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA).

O impacto de Trump nos ativos

Gabriel Giannechini, sócio e portfolio manager da Gauss Capital, relembra que em 2016, quando o cenário era outro e Trump não era o favorito, o choque de preços causado pela vitória foi muito concentrado nos primeiros dias após a eleição. Já nesta, vem sendo diluído ao longo do tempo.

“O resultado disso é que vemos as taxas americanas em níveis elevados, principalmente na parte mais longa da curva, devido às políticas propostas por ele resultarem em um ambiente mais inflacionário”, pontua. Essa possibilidade de maiores pressões inflacionárias pôde ser vista logo nas primeiras horas desta segunda-feira, quando o título de 10 anos do Tesouro americano subiu de 4,18% para 4,24%.

As bolsas americanas, por hora, não apresentam grandes movimentações decorrentes do atentado. Segundo Pablo Spyer, sócio XP e CEO Vai Tourinho, somente o aumento nas apostas da vitória de Trump não deve impactar fortemente a bolsa no momento.

“Ao meu ver, continuamos no mesmo cenário”, diz. Entretanto, em um futuro, Spyer cita que o protecionismo de Trump pode favorecer alguns setores com a redução dos impostos. Mas, do outro, caso as pressões inflacionárias resultem em juros mais altos, as empresas mais sensíveis a custo de capital poderiam ser prejudicadas.

Em relação aos setores favorecidos, o estrategista-chefe da Avenue, comenta que o setor de petróleo, energia e as small companies, que são mais atreladas ao desempenho da economia americana em si, poderiam se beneficiar, já que Trump traz uma ideia de Make America Great Again. “Trump poderia eventualmente priorizar as empresas americanas no cenário competitivo, isso tende a ser melhor para as pequenas companhias em especial.”

Ainda seguindo na linha dos reflexos do protecionismo de Trump, o dólar se fortalece. O Índice DYX nas primeiras horas de negociação subiu de 104,07 pontos para 104,20 pontos no dia seguinte ao atentado. O dólar comercial nesta segunda-feira também sobe frente ao real.

Com relação ao doméstico, juros futuros americanos mais pressionados e dólar alto não beneficiariam o Ibovespa, segundo os analistas. Entretanto, Giannechini afirma que a bolsa brasileira poderia surfar na apreciação dos índices de ações americanos. Mas, para todo esse cenário acontecer, além da vitória de Trump, é necessário ver como que essas políticas vão se conjecturar no Congresso e se Trump vai conseguir executar as propostas que deseja.

Atentado eleva patrimônio de Trump em R$ 6,5 bilhões

Investidores apostam na Trump Media após tentativa de assassinato na Pensilvânia

Trump viu fortuna disparar depois de atentado no último sábado (13). (Win McNamee/AFP)

Publicado em 16 de julho de 2024 às 06h41.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, viu seu patrimônio crescer significativamente na segunda-feira, 15, dias após sobreviver a um atentado na Pensilvânia. De acordo com a Forbes, Trump adicionou cerca de R$ 6,5 bilhões ao seu patrimônio, um aumento de 21,8%. Esse crescimento é atribuído ao aumento do interesse dos investidores na Trump Media, que possui a plataforma de mídia social Truth Social. As informações são da QZ.

As ações da Trump Media subiram mais de 35% na segunda-feira, após atingirem ganhos superiores a 50% antes da abertura do mercado. As ações estão sendo negociadas a aproximadamente R$ 228,06 (US$ 42) por ação, resultando em uma capitalização de mercado de cerca de R$ 43,31 bilhões (US$ 7,98 bilhões).

Trump, que detém a maior parte das ações da Trump Media, possui cerca de 65% das ações ordinárias da empresa.

Atentado contra Trump

O ex-presidente, principal candidato republicano à presidência, foi ferido em um comício de campanha em Butler, Pensilvânia, no sábado, 13, em um atentado que está sendo investigado como tentativa de assassinato.

Vídeos mostram Trump sendo rapidamente retirado do palco por agentes do Serviço Secreto após os disparos, com sangue escorrendo de seu ouvido direito. Trump está fora de perigo e planeja anunciar seu candidato a vice-presidente na segunda-feira (15), às 16h30 (horário de Brasília), durante a Convenção Nacional Republicana em Milwaukee, Wisconsin.

Outras três pessoas foram feridas durante o tiroteio. Os residentes da Pensilvânia, David Dutch e James Copenhaver, estão em condição estável, segundo a polícia estadual. Corey Comperatore, 50 anos, foi morto durante o atentado.

Motivação segue sem esclarescimento

O atirador Thomas Crooks, um jovem de 20 anos, viajou de sua casa na Pensilvânia até um comício de Donald Trump, onde subiu em um telhado e disparou contra o ex-presidente, que sofreu uma lesão leve na orelha e foi rapidamente retirado do local pela segurança. Agentes do Serviço Secreto dos EUA neutralizaram Crooks no ato. O ataque deixou um morto, dois feridos graves e muitas perguntas sobre as motivações do atirador. O incidente repercutiu em todo o país, intensificando as tensões em uma das eleições presidenciais mais polarizadas da história dos EUA.

Até agora, as autoridades não identificaram uma ideologia específica associada a Crooks, que aparentemente agiu sozinho. Também não há indícios de que ele sofria de problemas de saúde mental. A investigação ainda está no início, e os investigadores não encontraram declarações ameaçadoras nas contas de redes sociais de Crooks.

 

Quanto rende R$ 1 milhão a 100% do CDI por dia?

Esse tipo de investimento é uma opção sólida para quem busca segurança e estabilidade.

Investimentos atrelados ao CDI são ideais para diversificação de portfólio (maxsattana/Thinkstock)

Luiz Anversa - Publicado em 15 de julho de 2024 às 10h42.

Investir R$ 1 milhão a 100% do CDI pode ser uma opção atrativa para quem busca rendimentos diários consistentes. Com a taxa Selic atualmente a 10,5% ao ano, é possível calcular quanto esse investimento renderá diariamente. Vamos entender como funciona esse cálculo e qual será o rendimento diário.

Entendendo o CDI

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é uma taxa de referência usada como base para diversos investimentos no Brasil. Normalmente, o rendimento de um investimento atrelado ao CDI é expresso como um percentual do CDI, como 100%, 110%, etc.

252 é o número de dias úteis no ano utilizado pelo mercado financeiro brasileiro.

Explicação detalhada do cálculo do CDI

Para calcular o rendimento diário de R$ 1 milhão a 100% do CDI, usamos a fórmula:

Rendimento diário = R$ 1.000.000 × (10,5 / 100) ÷ 252

252 é o número de dias úteis no ano utilizado pelo mercado financeiro brasileiro.

Convertendo a taxa anual para diária:Rendimento diário = R$ 1.000.000 × 0,105 ÷ 252Rendimento diário = R$ 1.000.000 × 0,0004167

Rendimento diário ≈ R$ 416,67

Vantagens do investimento atrelado ao CDI

Investimentos atrelados ao CDI são considerados seguros e estáveis, especialmente para investidores que buscam rentabilidade consistente sem assumir grandes riscos. Eles são ideais para diversificação de portfólio e preservação de capital, oferecendo liquidez e previsibilidade.

Comparação com outros investimentos

Investir R$ 1 milhão a 100% do CDI com a taxa Selic a 10,5% ao ano proporciona um rendimento diário de aproximadamente R$ 416,67. Vamos comparar este rendimento com outros tipos de investimentos.

Poupança

Rendimento diário:

A poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR), que tem sido zero.

Rendimento mensal: R$ 1.000.000 x 0,5% = R$ 5.000

Rendimento diário: R$ 5.000 / 30 ≈ R$ 166,67

Conclusão:

A poupança rende significativamente menos que 100% do CDI.

Tesouro Selic

Rendimento diário:

A taxa do Tesouro Selic acompanha a Selic, atualmente em 10,5%.

Rendimento diário: Aproximadamente igual ao CDI, ou seja, cerca de R$ 416,67.

Conclusão:

Tesouro Selic tem rendimento similar a 100% do CDI.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Rendimento diário:

Supondo um CDB que pague 110% do CDI.

Rendimento diário: R$ 1.000.000 x (10,5% x 1,1) / 252 ≈ R$ 458,33

Conclusão:

Um CDB a 110% do CDI rende mais que 100% do CDI.

Fundos DI

Rendimento diário:

Fundos DI investem em títulos públicos e privados, com rendimento próximo ao CDI.

Taxa de administração impacta o rendimento. Supondo uma taxa de administração de 0,5% ao ano:

Rendimento líquido: 100% CDI - 0,5%

Rendimento diário: Aproximadamente R$ 415,10

Conclusão:

Fundos DI podem render um pouco menos que 100% do CDI devido à taxa de administração.

Conclusão Geral

100% do CDI: R$ 416,67/dia

Poupança: R$ 166,67/dia

Tesouro Selic: R$ 416,67/dia

CDB a 110% do CDI: R$ 458,33/dia

Fundos DI: R$ 415,10/dia

Investir a 100% do CDI oferece um rendimento diário competitivo, superior à poupança e próximo ao Tesouro Selic e fundos DI. Para maximizar ganhos, considere CDBs que pagam acima de 100% do CDI. Sempre consulte um assessor financeiro para alinhar suas estratégias de investimento aos seus objetivos financeiros.

Por que você deve saber sobre esse rendimento diário

Investir R$ 1 milhão a 100% do CDI proporciona um rendimento diário de cerca de R$ 416,67, considerando a taxa Selic a 10,5%. Esse tipo de investimento é uma opção sólida para quem busca segurança e estabilidade nos rendimentos. No entanto, é sempre importante diversificar suas aplicações e consultar um assessor financeiro para alinhar suas estratégias de investimento com seus objetivos financeiros.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Estamos na era do diálogo com os clientes e não do monólogo

A comunicação não é sobre vendas, mas sobre como as marcas se relacionam com as pessoas

(AdobeStock/Reprodução)

Márcio Oliveira

Que todos nós temos muito mais acesso às informações atualmente não é mais novidade. E informações de todos os tipos, não apenas as que recebemos através de redes sociais, por exemplo, mas também àquelas que buscamos ativamente na Internet. 

E isso já mudou totalmente a dinâmica de como uma marca precisa se comunicar, já que as pessoas têm acesso a muito mais informações de uma marca do que ela imagina. Em outras palavras, o processo de comunicação hoje precisa ser mais o do diálogo do que o do monólogo.  

Mas parece que muitas empresas, apesar de até acreditarem nisso, ainda trabalham como se elas fossem a única e verdadeira fonte de informação delas mesmas e ao invés de se comunicarem, fazem apenas publicidade. 

Quando existe a intenção de trabalhar a comunicação de verdade, existe espaço para a empresa falar e, também, ouvir sinceramente o cliente dentro do mesmo processo. Quando a empresa só quer falar de si mesma apenas e assim, esperar alguma reação positiva do cliente, sem ouvi-lo ou dar abertura para isso, chamo isso de publicidade pura e simples. E convenhamos, esta última ainda é a única forma com que muitas empresas trabalham, não é? 

Vamos compreender corretamente os termos para diferenciarmos estes comportamentos: 

Comunicação - A comunicação é um processo que envolve a troca de informações entre dois ou mais interlocutores por meio de signos e regras semióticas mutuamente entendíveis. (by Google). 

Publicidade - é um meio de divulgação ou comunicação, com fins comerciais, direcionado a usuários de um produto ou serviço. Tem como significado geral divulgar, tornar pública uma ideia ou fato. (by Google também). 

Diálogo é relacionamento 

Claro que não existe nenhum problema com estes dois conceitos e ambos são válidos e necessários, só que a forma de uso é que deve mudar. Entendo que a falta de consciência disso é que atrapalha muitas estratégias e ações, porque muitas empresas ainda insistem no modelo antigo de publicidade onde ela apenas exalta a sim mesma e os seus produtos, como se ela fosse a única fonte de informação de si mesma para os seus clientes. 

E é neste ponto que volto à afirmação do primeiro parágrafo, afinal, vivemos um momento de abundância de informação sobre qualquer coisa e de grandes mudanças nos comportamentos das pessoas, principalmente em relação ao consumo, com as pessoas confiando mais na opinião de conhecidos e influenciadores sobre um produto, do que na própria marca.  

O marketing boca a boca ainda está mais eficaz do que nunca 

A pesquisa Trust in Advertising, da Nielsen para a América Latina, mostrou entre outras coisas que 65% das pessoas confiam mais nas recomendações de produtos através de amigos e influenciadores do que através das propagandas. Nos Estados Unidos este índice chega a 89%. 

E as pessoas nem precisam se esforçar muito para obter informação. Tem alguma dúvida sobre um determinado produto ou marca? Basta colocar no Google para ver por exemplo as recomendações, as reclamações e tudo mais.  

A reputação de uma marca não é mais construída por ela, mas sim pelas pessoas e pelo “poder” que agora elas têm para dar voz em escala nas suas opiniões. As marcas não controlam mais quase nada, só que parece que muitas ainda não entenderam bem isso. 

Qual o caminho então? Bom, na minha visão a propaganda tradicional ainda tem espaço e uma função clara, mas agora ela precisa ser realmente verdadeira, representar a realidade da empresa e não apenas o que ela quer parecer que é, e ainda deve estar acompanhada de diversas outras ações que apoiem isso.  

E por mais que alguns ainda acreditem que conseguem manipular as pessoas com a propaganda, pode até ser que isso funcione por um tempo, mas sabemos que a mentira tem perna curta e o tombo pode ser grande na reputação da marca.  

Temos que nos lembrar que no fundo, tudo isso não é só sobre vendas, mas sobre como as marcas se relacionam com as pessoas. As vendas serão a consequência. 

Por que há empresários desanimados com a economia brasileira?

Neste mundo comandado pelas redes sociais, as expectativas são maiores e a paciência, menor.

Empresária saindo: expectativas são maiores e a paciência, menor (PixelPop/Getty Images)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esteve na semana passada no Congresso Nacional debatendo com deputados federais da oposição. Recebeu críticas e rebateu com dados que mostravam uma economia brasileira em recuperação. Os números recentes, de fato, mostram uma inflação em controle, arrecadação em alta e uma atividade macroeconômica razoável, com taxa de desemprego em queda. Ou seja, em uma fotografia do presente (ou dos últimos meses), não há muito do que se queixar.

Mas esses dados não se refletem em popularidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atribui seus índices de desaprovação nas pesquisas a uma estratégia ruim de comunicação. Ocorre, porém, que é possível termos números econômicos positivos convivendo com popularidade baixa.

No início dos anos 1970, por exemplo, o general Emílio Garrastazu Médici – um dos presidentes durante a ditadura militar – proferiu a seguinte pérola: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”. Estamos em um momento histórico totalmente diferente, mas essa máxima pode ser aplicada ao Brasil de hoje.

Nossa economia sofreu, nos últimos dois anos, os efeitos nocivos da inflação e de seu remédio – os juros altos. Essa combinação faz o poder aquisitivo do trabalhador diminuir e eleva as dificuldades das empresas em tocar o dia a dia financeiro. Embora estejamos, em tese, saindo desse período, ainda sofremos os efeitos do processo que combateu a alta dos preços.

Também temos um contexto econômico muito dependente do agronegócio. A performance das exportações agropecuárias impulsiona nossos números, mas não necessariamente contamina positivamente a cadeia produtiva de forma rápida.

Por fim, os analistas do mercado financeiro trabalham muito mais com as expectativas do futuro do que com dados do presente. Desta forma, quando percebem a disposição gastadora do governo, combinada com nenhuma intenção de reduzir os gastos estatais, esses analistas se tornam céticos em relação às possibilidades de o governo Lula conseguir resultados verdadeiramente favoráveis para a economia ainda neste mandato.

Vale a pena repetir aqui o que disse o cientista político Murillo de Aragão em uma edição do programa MONEY REPORT TV (na BM& News, às quintas-feiras, às 21:00 – canal 563 na Claro e 579 na Vivo). Durante esse episódio, discutíamos justamente uma percepção de que o cenário era negativo por parte de muitos empresários diante de números positivos. Murillo, então, saiu-se com uma interpretação brilhante: “Às vezes, a sensação térmica na economia é diferente do que dizem os números”.

Ou seja, o termo cunhado pelos meteorologistas parar explicar por que sentimos mais calor (ou frio) do que apontam os termômetros pode valer também para o contexto econômico. As estatísticas denotam um cenário positivo, mas as pessoas não estão satisfeitas com aquilo que estão vivendo no cotidiano.

Some-se a tudo isso outro fator: neste mundo comandado pelas redes sociais, as expectativas são maiores e a paciência, menor. Se antes havia mais estoicismo para aguentar o tempo necessário para o efeito de medidas econômicas amargas, hoje a população quer resultados mais rápidos. E deseja efeitos positivos quase imediatos na condução da política econômica (algo totalmente utópico). Esse é um desafio que pode colocar o governo ainda mais na trilha do populismo, gastando o dinheiro que não tem para tentar impulsionar a performance econômica.

É por isso que há empresários desanimados com a economia brasileira.

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