sábado, 30 de setembro de 2023

Natalia Viri
Publicado em 28 de setembro de 2023 às, 08h08.

Ancar Ivanhoe vê mercado de shoppings em ponto de inflexão

“É hora de os ‘shopeiros’ tirarem os projetos da gaveta”, diz copresidente da maior empresa privada do setor -- que, aos 50 anos, apresenta seu plano ESG

Pátio Paulista: Shopping na capital paulista é um dos 27 empreendimentos no portfólio da Ancar (Ancar Ivanhoe/Divulgação)

Maior empresa de capital privado de shoppings centers do país, a Ancar Ivanhoe acredita que o mercado está prestes a entrar num ponto de inflexão. Com a indústria recuperada após o baque da pandemia e de sustos pontuais com fechamentos de grandes varejistas no primeiro semestre deste ano, as taxas de vacância dos empreendimentos em grandes cidades voltaram a ficar baixas, abrindo caminho para um aguardado movimento de expansão.

“Hoje eu vejo um movimento de retomada. Se tudo continuar bem, e tomara que continue, eu diria que é hora de os ‘shopeiros’ tirarem seus projetos da gaveta”, afirma o copresidente da companhia, Marcelo Carvalho, da segunda geração da família fundadora.

O movimento deve passar longe da euforia que marcou os anos de 2012 a 2014, quando houve o último ciclo de crescimento do setor, com o lançamento de uma série de empreendimentos, que acabaram demorando para maturar em meio ao derretimento do PIB nos anos do governo Dilma. Quando a economia ensaiava uma retomada, o coronavírus esvaziou os pontos físicos.

Dona ou gestora de 27 shoppings em 14 cidades, que geram quase R$ 20 bilhões de vendas ao ano, a Ancar é conhecida pelo perfil discreto. De capital fechado, os executivos raramente dão entrevistas. Do portfólio total, 17 são shoppings próprios – incluindo o Shopping Interlagos, em São Paulo, e o Botafogo Praia Shopping, no Rio -- e 10 são empreendimentos em que atua como gestora, caso do carioca Downtown e do paulistano Pátio Paulista.

Carvalho não dá muitos detalhes sobre os números da empresa, mas diz que está “sempre atento às oportunidades de mercado”. Ao fim de 2022, último dado disponível, a taxa de ocupação dos empreendimentos da Ancar estava em 95%, 0,9 ponto percentual acima de 2019, ano pré-pandemia.

De acordo com o executivo, o balanço está “confortável” tanto para expansão orgânica quanto inorgânica. No ano passado,  a empresa vendeu o shopping Maracanaú, em Fortaleza, e mais uma fatia em três empreendimentos (Pantanal Shopping, Porto Velho Shopping e Shopping Boulevard) para um fundo gerido pela Vinci Partners por R$ 660 milhões, na maior transação do setor de shoppings desde o início da pandemia. Agora, a mesma gestora fez uma oferta de R$ 280 milhões por fatias no Shopping Conjunto Nacional, em Brasília, o Natal Shopping e Via Sul, em Fortaleza, que está em fase de conclusão.

“Nesse momento de queda da taxa de juros, todos os fundos imobiliários voltaram a se posicionar para crescimento de portfólio”, diz. “E daqui a pouco a gente vai comprar alguns ativos, provavelmente.”

Em 2020, a Ancar chegou a negociar uma fusão parcial com a BR Malls, que depois acabou se fundindo com a Alliansce, criando a maior empresa do setor, a Allos, com 69 empreendimentos que geram faturamento de quase R$ 40 bilhões.

Num ano complicado para o varejo, com a debacle da Americanas e grandes varejistas como Marisa, Casas Bahia, Polishop fechando lojas, os shoppings sofreram um baque no primeiro semestre. Mas, segundo Carvalho, ele foi pontual, sem grande impacto sobre a taxa de vacância.

“Houve fechamento de uma ou outra loja, mas na medida do possível, sentamos com esses operadores e encontramos uma forma de equacionar as dificuldades”, diz.

Em alguns casos, esses fechamentos abriram espaço para áreas de lazer a gastronomia, uma tendência que tomou conta dos shoppings com força no pós-pandemia. Outra tendência pós-covid foi de criar mais espaços abertos, com áreas pets, quiosques e restaurantes voltados para a área externa.

“Tivemos um bom primeiro semestre, em linha com a indústria. E o segundo semestre, historicamente, costuma ser melhor.”

Plano ESG

Pioneira no setor, a Ancar começou sua trajetória na década de 1970, quando ingressou na indústria como uma das responsáveis pelo desenvolvimento do segundo shopping construído no Brasil: o Conjunto Nacional de Brasília. Em 2006, associou-se à canadense Ivanhoe Cambrige, empresa global de serviços imobiliários.

Com 50 anos completos no ano passado, a empresa estruturou uma área ESG, para concentrar as iniciativas ambientais, sociais e de governança e acaba de lançar um plano para avançar nesses pontos até 2030.

“Passamos a monitorar as iniciativas que a gente já faz e criamos indicadores e um comitê de ESG, numa agenda não só de gestão de risco como de criação de valor”, diz Carvalho. “Isso é um ponto muito bom de ter um sócio estrangeiro grande, que nos alimenta de informações para elevar a barra. Hoje a gente discute com a Ivanhoe usar recursos que eles têm para investimentos green no Brasil.”

Natalia Viri
Publicado em 29 de setembro de 2023 às, 18h23.

De olho na Sabesp, IG4 se une a gestora americana

Sócia da Iguá firma joint venture com Water Asset Management e quer fundo de US$ 1 bi para ter "fatia relevante" na privatização

Sabesp: Governo de São Paulo quer concluir privatização até meados de 2024 (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket /Getty Images)

A IG4, firma de private equity conhecida pelo investimento na Iguá, está formando uma joint venture com a Water Asset Management, gestora americana também focada no segmento, para participar do processo de privatização da Sabesp. As gestoras estão levantando um fundo exclusivo, a princípio de US$ 1 bilhão, nos Estados Unidos, para a empreitada. A intenção é se tornar uma acionista relevante na Sabesp, com uma posição de ao menos 10%, suficiente para indicar um membro do conselho de administração, segundo informações obtidas em primeira mão pelo EXAME IN.

O tamanho final do fundo vai depender do formato da oferta de privatização, que ainda está em desenho por parte do governo de São Paulo.

A International Finance Corporation (IFC) está liderando o processo e a expectativa é que o sindicato de bancos para a oferta de ações seja contratado até o fim do ano. O governo Tarcísio de Freitas pretende concluir o processo até meados de 2024. Um dos modelos em estudo é uma oferta em que o governo se dilua, trazendo acionistas de referência que terão um teto de participação, para que a companhia se consolide como uma corporation.

“A depender do formato da privatização, esse valor pode aumentar e aí podemos partir para captar também com investidores brasileiros”, afirma Paulo Mattos, sócio-gestor da IG4. A proposta é de um fundo evergreen, sem prazo de vencimento e sempre aberto a novos aportes.

O veículo marca um novo momento da IG4, que entregou um ciclo completo na Iguá,  transformando os ativos da combalida CAB Ambiental, do grupo Queiroz Galvão, numa empresa madura e  em fase de crescimento.  (Hoje a IG4 tem 3% da companhia, mas representa o grupo de controle, tendo como sócios o fundo canadense CCPIB e a AIMCo, com 90% do capital.)

Já a WAM é focada no mercado de public equities, mirando fatias de empresas já listadas. Fundada em 2005, a gestora investe em companhias em todo o mundo, que vão desde saneamento e tratamento de água até direitos de minas aquíferas nos Estados Unidos e empresas de tecnologia ligadas ao setor. Se bem sucedida, essa seria sua estreia no mercado brasileiro.

Agora sócias, as gestoras pretendem se engajar oficialmente nas discussões da privatização, especialmente na questão regulatória. “A regulação é um ponto muito importante na Sabesp porque pode aumentar muito a atratividade para o setor privado. Hoje o modelo incentiva o volume de investimento, mas não a captura de valor com eficiência operacional”, aponta Mattos.

Pelo modelo vigente, a empresa é remunerada pela sua base regulatória de ativos – ou seja, quanto maior os investimentos para aumentar a base, maior a remuneração. Mas o operador não consegue se apropriar de eventuais ganhos de eficiência na operação.

“Temos a expectativa de um modelo regulatório com ganhos de eficiência que são compartilhados entre usuário e o investidor”, diz Mattos. O governo paulista vem numa agenda intensa de negociações com a agência reguladora de saneamento e energia do Estado, a Arsesp.

O interesse na IG4 na Sabesp não entra em conflito com a participação Iguá, que vem bastante ativa na agenda de concessões e PPPs. “A Iguá olha companhias em que pode ser a operadora e ter pelo menos o controle, não é o caso da Sabesp”, diz o gestor. Em entrevista hoje ao Valor, o CEO da Iguá, Ricardo Barbuti já tinha afirmado que a estatal paulista não era um foco para a companhia.

Na Copasa, estatal de saneamento que está nos planos de desestatização do governador Romeu Zema (MG), o que vai definir o potencial interesse e o veículo de investimento é o formato da privatização. “Se for um modelo de venda de controle, pode ser que interesse a Iguá. Se for de acionista minoritário relevante, pode ser que interesse à IG4 fora da Iguá”, afirma Mattos. A parceria com a WAM, no entanto, é restrita apenas à Sabesp, ressalta.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

 Prédio residencial mais sustentável do País está em Porto Alegre

O conceito IDEA, adotado pela Capitânia, trabalhou materiais sustentáveis, certificados

O conceito IDEA, adotado pela Capitânia, trabalhou materiais sustentáveis, certificados


JOÃO SABOIA/DIVULGAÇÃO/JC
Está em Porto Alegre o prédio residencial mais sustentável do Brasil e um dos 100 icônicos empreendimentos sustentáveis do mundo. O IDEA Bagé recebeu, nesta quinta-feira (7) de setembro, em Nova Deli, na Índia, durante o G20, presidência da Índia, o reconhecimento do Bureau de Eficiência Energética, Ministério da Energia do Governo da Índia como um dos 100 icônicos edifícios sustentáveis do mundo.

Na justificativa da escolha, o Bureau de Eficiência Energética disse que o empreendimento está em sintonia com o princípio do "Vasudhaiva Kutumbakam" – O Mundo é uma Família - e destacou que "a iniciativa expõe prédios e estabelecimentos exemplares que promovam projetos preocupados com o clima e o meio ambiente, que destaquem as inovações que podem desencadear uma transformação global rumo à construções sustentáveis e honrar o comprometimento na luta contra as mudanças climáticas".

O IDEA Bagé também é o único edifício residencial brasileiro a ter a certificação platina (a mais elevada) GBC Brasil Condomínio, por seus atributos de sustentabilidade desde a construção até o dia a dia dos moradores.

Com 14 apartamentos, o empreendimento foi construído com foco na redução dos gastos com a manutenção do prédio, água, aquecimento de água e energia elétrica, reunindo várias tecnologias que geram valorização patrimonial. A fachada do IDEA Bagé possui brises móveis, que ajudam a controlar a entrada de sol e na melhoria do conforto térmico. Vidros especiais reduzem a entrada do calor e bloqueiam os raios ultravioleta e toda iluminação condominial foi feita com lâmpadas LED, com sensores de presença.

O conceito IDEA, adotado pela Capitânia, trabalhou materiais sustentáveis, certificados e declarações ambientais de produto, informando sobre seu ciclo de vida e baixo impacto ambiental. A seleção deles conquistou o reconhecimento do diferencial pela GBC Brasil e atingiu 91 dos 110 pontos possíveis de análise. O condomínio alia tecnologia, automação e internet das coisas, com identificadores sustentáveis, sistema de painéis fotovoltaicos com capacidade de gerar toda a energia elétrica necessária para manter a área condominial e ainda abastecer em torno de 30% dos apartamentos.

Nos apartamentos, o sistema de aquecimento de água central solar reduz o consumo de gás em mais de 80%. Chuveiros com certificação LEED atendem aos requisitos de construções sustentáveis, diminuindo pela metade o consumo de água dos banhos, assim como o sistema de descarga dos vasos sanitários que reduzem em 30% o consumo de água.

A adoção da tecnologia, automação e internet das coisas incorporaram ao IDEA Bagé sensores que medem os consumos de energia, água e gás. A fachada é térmica e autolimpante. A água da chuva, e a gerada por condensação nos aparelhos de ar-condicionado, é coletada numa cisterna e utilizada para irrigação. Todos os box de estacionamento tem espera para abastecimento de carro elétrico, ligada ao medidor de energia do apartamento.

Falta de regulação no Brasil é um dos gargalos a ser vencido

Cluster Ecoar é uma iniciativa da Hélice Consultoria da Ufrgs que busca, entre outras coisas, rastrear embalagens

Cluster Ecoar é uma iniciativa da Hélice Consultoria da Ufrgs que busca, entre outras coisas, rastrear embalagens


CLUSTER ECOAR/DIVULGAÇÃO/JC
Apesar das iniciativas relevantes, os exemplos de adoção dos princípios da economia circular ainda são isolados. O professor Fabian Scholze Domingues, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), credita a falta de um engajamento maior à falta de regulação no País, entre outros fatores. "O neoliberalismo é incompatível com uma economia circular séria porque nos países onde funciona, o setor é altamente regulado. Não existe economia circular sem legislação, é preciso aplicar multa em caso de descumprimento e instituir políticas públicas coerentes", critica Domingues.
No Cluster Ecoar, iniciativa da Hélice Consultoria da Ufrgs, que visa agregar valor aos resíduos sólidos urbanos e implementar a rastreabilidade dos materiais para uma cadeia de embalagens com menor impacto ambiental, a legislação é um dos aspectos estudados. "Estamos analisando políticas federais, tentando entender como interferem nessas dinâmicas, qual o papel do Estado no âmbito da logística reversa e estimular a regulamentação no Rio Grande do Sul. Por fim, tentando compreender como os municípios se inserem nessa discussão, especialmente no debate da coleta do resíduo seletivo domiciliar", explica Annelise Steigleder, promotora de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e integrante do Cluster Ecoar.
Com contribuição e expertise de universidades, institutos de pesquisa e tecnologia, startups, representantes de empresas e do poder público, o Ecoar é uma união de experiências e saberes com objetivo de eliminar ou reduzir o descarte e a consequente destinação para aterros sanitários. A tarefa é desafiadora, pela mistura de lixo orgânico com material reciclado. "Para ampliar os índices de reciclagem e reduzir o rejeito é preciso melhorar a seletividade doméstica e das empresas", explica o secretário de Desenvolvimento Social de Porto Alegre (SMDS), Léo Voigt, que também participa do cluster.
A constatação do titular da SMDS pode ser comprovada ao examinarmos a forma como as pessoas descartam lixo. Segundo levantamento de 2022 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, na região Sul do Brasil as áreas de disposição inadequada, incluindo lixões e aterros controlados no Sul, receberam 28,4% do total de resíduos coletados. No país, o índice ficou em 39% do total coletado, alcançando um total de 29,7 milhões de toneladas com destinação inadequada.
Sem o devido reaproveitamento, mais recursos são retirados da natureza. Vale lembrar que para atender o atual padrão de consumo da humanidade seria necessário 1,7 planeta Terra, segundo a organização não governamental (ONG) Footprint Network. Neste ano, 2 de agosto foi o dia da sobrecarga do planeta terra, data do ano em que a demanda por recursos naturais supera a capacidade da Terra de produzir ou renovar esses recursos ao longo de 365 dias.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), para habitação, alimentação, transporte e vestuário, são consumidos cerca de 100 bilhões de toneladas de materiais por ano para atender uma população mundial de 8 bilhões de pessoas. Até 2050, espera-se que a extração e utilização de materiais duplicará em relação a 2015. Este aumento pode gerar um colapso dos sistemas de suporte à vida da Terra, que já estão em ponto de ruptura.
A pesquisa Cicle Economy, da Deloitte, traz uma informação preocupante em nível mundial. A utilização de insumos circulares encolheu de 9,1% para 7,2% do total usado do planeta. Está mais do que na hora de o Brasil - suas empresas e sua população - ajudar a reverter essa tendência.

 Cresce a aposta das empresas gaúchas na economia circular

Economia circular avança no varejo e na indústria do Estado

Economia circular avança no varejo e na indústria do Estado


FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Karen Viscardi, especial para o JC*
Os princípios da economia circular ganham cada vez mais adeptos no mundo corporativo. Mais do que tendência, uma exigência de investidores e consumidores para evitar colocar em colapso a capacidade de recursos do planeta, que está no limite. No Rio Grande do Sul, as práticas vão desde logística reversa de produtos e embalagens, reutilização de insumos na indústria, redução e/ou substituição de fontes de energia e água, adoção de políticas de resíduo zero, entre outras.
busca por sustentabilidade mobiliza empresas do varejo e da indústria, como Renner, Ramarim, Tramontina e Noca Móveis, e até um estádio de futebol: a Arena do Grêmio. Buscar soluções que envolvam a população e empresas é o objetivo do Cluster Ecoar. O Cluster para Ecossistemas Circulares e de Inovação reúne universidade, institutos de pesquisa e tecnologia, startups, poder público e entidades empresariais para implementar a rastreabilidade dos produtos de consumo diário e suas embalagens em Porto Alegre.

Os chamados 3Rs: reuso, remanufatura, reciclagem, ganham cada vez mais adeptos, seja entre os consumidores ou entre as companhias que apostam nas ações com foco em sustentabilidade
Os chamados 3Rs: reuso, remanufatura, reciclagem, ganham cada vez mais adeptos, seja entre os consumidores ou entre as companhias que apostam nas ações com foco em sustentabilidade
RAWPIXEL/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Reduzir, reutilizar e reciclar. Os 3R atrelados ao conceito de economia circular estão se disseminando na cultura das empresas gaúchas, especialmente das grandes corporações. Por um lado, investidores vêm exigindo boas práticas em gestão ambiental, social e de governança como forma de aumentar a lucratividade, reduzir riscos e manter a imagem da empresa. De outro, cada vez mais os consumidores levam em conta questões como sustentabilidade, ética e tudo o que envolve o social e o ambiental. Pesquisa Retratos da Sociedade: hábitos sustentáveis e consumo consciente, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 2022, mostra que 50% dos consumidores verificam se o produto foi produzido de forma ambientalmente sustentável, enquanto em 2019 esse percentual ficava em 38%.
Pioneira no varejo brasileiro no modelo de loja circular, a Lojas Renner inaugurou sua primeira unidade há dois anos, no Rio de Janeiro. E, a partir de 2023, todas as unidades abertas ou reformadas da rede seguem os princípios da circularidade. "A Lojas Renner possui uma trajetória longa e sólida em ESG e tem a sustentabilidade como um valor corporativo", diz Fabiana Taccola, diretora de Operações da Lojas Renner. Tudo é integrado, desde a escolha das matérias-primas e o desenvolvimento dos produtos até o ambiente de loja e o pós-consumo.
Na Tramontina, uma das iniciativas na lógica da circularidade é a logística reversa, que já tirou do mercado mais de 1,5 tonelada de produtos pós-consumo. Segundo Lizandra Marin, gerente do Núcleo de Sustentabilidade da empresa, a busca de soluções é contínua, com investimentos em tecnologias limpas, reciclagem e reaproveitamento de materiais, redução na geração de resíduos e efluentes, além de avanços na circularidade a partir do reuso, entre outras práticas.
A preocupação com a pegada ambiental também é realidade no Grupo Ramarim. As práticas de gestão ambiental, social, cultural, ambiental e de sustentabilidade da empresa renderam o reconhecimento do selo Origem Sustentável (Diamante), concedido por entidades da cadeia calçadista. Essa conquista não veio à toa. Há dez anos, a fabricante de calçados femininos começou a trabalhar com o conceito de economia circular, com a reutilização das sobras de borracha.
Mas não é só nas grandes empresas que a transição para a economia circular está presente. Pequenos e médios negócios, mesmo que em menor ímpeto, vem aderindo às práticas de sustentabilidade como forma de se diferenciar no mercado, atender às exigências de clientes e ter acesso a crédito. "Há uma questão muito forte entre os pequenos e médios, estes empresários são mais atrelados a propósito", destaca Sérgio Finger, CEO da Trashin, empresa de gestão de resíduos e logística reversa.

Brasil amplia liderança nas exportações globais do agronegócio

Brasil agora também é o maior exportador de milho, superando os Estados Unidos

Brasil agora também é o maior exportador de milho, superando os Estados Unidos


WENDERSON ARAUJO/CNA/DIVULGAÇÃO/JC
O Brasil se consolida, cada vez mais, como o maior exportador agrícola do mundo. O País, que já era líder nas vendas de café verde, carne bovina, frango in natura, celulose, soja em grão e açúcar, agora também é o maior exportador de milho, superando os Estados Unidos.

No ano que vem, o País deve ultrapassar os americanos também na produção de algodão, ocupando a terceira posição no ranking mundial, atrás de China e Índia. Com a colheita crescendo, o Brasil tem condições de se tornar o maior exportador da fibra no mundo, desbancando os Estados Unidos.

A liderança é decorrente de uma série de fatores. No mercado interno, o País tem batido recordes consecutivos na safra de grãos, resultado também do aumento da produtividade nacional. A tecnologia do plantio direto, a irrigação e o melhoramento genético dos cultivares já permitem que os agricultores brasileiros de forma geral consigam colher até três safras agrícolas por ano numa mesma área.

No exterior, a quebra de safra nos Estados Unidos e na Argentina por causa do clima e a guerra na Ucrânia também explicam os números. A redução da oferta dos principais produtores abriu a perspectiva de aumento das exportações para a grande safra brasileira.

O protagonismo brasileiro no ranking mundial do agronegócio foi estampado no último relatório do departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 12 de setembro. Pelo documento, o País exportou 57 milhões de toneladas de milho ante 42,29 milhões de toneladas dos produtores americanos no ano safra 2022/2023, que vai de agosto a julho. Na safra atual, o USDA projeta exportações de milho de 55 milhões de toneladas para o Brasil e de 52,07 milhões para os Estados Unidos.

No algodão, a perspectiva é a de que as vendas externas da safra 2023/24 dos Estados Unidos somem 2,67 milhões de toneladas, apenas 100 mil toneladas acima dos volumes exportados pelo Brasil (2,57 milhões de toneladas). No mesmo período, a expectativa é a de que o Brasil produza 3 milhões de toneladas de algodão, à frente dos Estados Unidos (2,859 milhões).

No caso do milho, na safra 2022/23, a produção total atingiu quase 132 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com a recuperação da produtividade nos Estados do Sul e do Mato Grosso, a safra foi 17% maior do que a do ano anterior, que já tinha sido recorde.

"Esse aumento da produção fomentou as exportações brasileiras", afirma Tiago Pereira, assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Kepler Weber investe em sistema de pintura mais eficiente e sustentável

Investimento representa avanço nas ações de sustentabilidade da empresa, garantindo aumento de 92% no aproveitamento da tinta
Investimento representa avanço nas ações de sustentabilidade da empresa, garantindo aumento de 92% no aproveitamento da tinta
FERNANDO DE SOUZA/KEPLER WEBER/DIVULGAÇÃO/JC
Desde a última semana a planta industrial da Kepler Weber, em Panambi, no Noroeste do Estado, opera com uma nova linha de pintura a pó dos produtos que abastecem, principalmente, a infraestrutura pós-safra no Rio Grande do Sul e no Brasil. Com um aporte, até o momento, de R$ 29,4 milhões, essa é a principal obra do plano de investimentos da empresa gaúcha, que prevê aportes de R$ 70 milhões, a partir de projeto aprovado pelo Fundopem, até 2026.
"A nova linha inaugurada representa um salto de 52% na capacidade de pintura e um ganho significativo em produtividade. Este investimento é parte integrante do projeto de modernização de nossas fábricas, e estamos preparados para acelerar o volume de produção a partir de aportes incrementais. É um investimento específico, que ainda não foi concluído. Já foram desembolsados R$ 29,4 milhões, mas serão mais de R$ 30 milhões nesta nova linha de pintura", destaca o diretor Industrial e de Produto da Kepler Weber, Fabiano Schneider.
A perspectiva é de que, ao final do plano de investimentos, que prevê a conversão do saldo credor de ICMS em investimentos, a indústria garantirá mais de 50% de melhoria na sua capacidade produtiva e em eficiência dos processos, com a geração de pelo menos 120 novos empregos. Atualmente, a capacidade produtiva da planta em Panambi é de 77 mil toneladas de produtos em metal por ano. A perspectiva é de que, neste ano, seja atingido um aumento de produtividade em torno de 7%. São 1,2 mil funcionários na unidade.
O investimento na linha de pintura representa um avanço nas ações de sustentabilidade na produção da Kepler Weber, porque garantirá, segundo Schneider, um aumento de 92% no aproveitamento da tinta, com a redução, durante a operação de pintura, de 40% nas emissões de CO2 e de 54% na geração de resíduos que exigem tratamentos mais complexos pela presença de produtos químicos na tinta.
"Acima de tudo, esta mudança garante melhores condições e qualificação aos trabalhadores da fábrica. É um método mais limpo e eficaz", explica a diretora de Gente e Gestão da Kepler Weber, Misiara Alcântara.
A Kepler Weber, que surgiu como uma ferraria em 1925, na então colônia Neu-Wüttemberg, que se tornou Panambi, produz no Estado silos, máquinas de limpeza, equipamentos transportadores e para portos e terminais. Além da produção no Rio Grande do Sul, a empresa tem planta industrial em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde já opera com uma linha de pintura a pó.
"É um investimento com foco na produtividade e altamente sustentável, com redução, por exemplo, de 26% no consumo de energia. Somos uma marca reconhecida pelos agricultores e todo investimento que fazemos busca ampliar a eficiência e entregar equipamentos cada vez melhores para os nossos clientes", diz o CEO da Kepler Weber, Piero Abbondi.
Desde o fim de julho, as ações da Kepler Weber estão sendo negociadas no Novo Mercado, segmento de listagem da B3 reconhecido pelo alto padrão de governança corporativa. Em 2022, teve faturamento de R$ 1,8 bilhão e, no segundo trimestre deste ano, registrou uma receita líquida de R$ 281,2 milhões _ foi a segunda melhor marca histórica para este período nos balanços da Kepler Weber.
As agroindústrias - que incluem cooperativas - e os novos projetos em armazenamento de grãos respondem pela maior parte dos negócios da empresa, no mercado nacional. As exportações, que chegam a mais de 50 países, respondem por 15% do faturamento. 

FICHA TÉCNICA

Investimento: R$ 29,4 milhões (até setembro)
Estágio: Em execução até 2026
Empresa: Kepler Weber
Cidade: Panambi
Área: Indústria
............................................................
Investimentos em 2022: R$ 38,6 milhões

 Gaúchas ampliam mercado de moda nos EUA

Fernanda criou marca de bolsas; Mariana e Leticia seguem passos da mãe
Fernanda criou marca de bolsas; Mariana e Leticia seguem passos da mãe
/PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Entrar no concorrido e exigente mercado da moda norte-americano já está na trajetória de duas marcas que têm em comum o comando de empreendedores gaúchos ou, melhor, gaúchas. A coluna Minuto Varejo conferiu, em Nova York, como a Volta Atelier, da designer de moda Fernanda Daudt, e a Maria Pavan, com as irmãs Leticia e Mariana Pavan à frente, mantêm a presença em duas das maiores feiras de vestuário e acessórios femininos do mercado dos Estados Unidos. 
As duas operações conquistam espaço e receita com produtos com design e diferenciação. No gigantesco Jacob Javits Center, na região do Hudson Yards, mesmo palco da NRF Big Retail's Show, que ocorre em janeiro mostrando inovações no varejo global, ocorrem desde essa quarta-feira até esta sexta-feira a Coterie (confecções) e a Magic (acessórios).
A Volta Atelier, com principal produto bolsas feitas com reciclagem de resíduos de couro da indústria calçadista gaúcha, está na área de acessórios, com espaço que a Carrano, marca brasileira, abriu para o design da empreendedora gaúcha, desde 2017 nos EUA. Fernanda criou a marca e tem seu mercado basicamente no país, vendendo a mais de 70 pontos físicos. "Apresentamos as coleções duas vezes por ano aqui (feiras). Temos contato com grandes players de mercado e trocamos experiência e aprendemos muito. É muito legal ver como cresce o espaço para marcas sustentáveis e com propósito como a Volta", valoriza a designer gaúcha.   
As irmãs Leticia e Mariana Pavan estão à frente da presença da marca criada pela mãe, Maria Luiza, há 40 anos. As coleções da Maria Pavan, em tricô feito em máquina industrial, batem ponto na Coterie desde 2018, com impacto decisivo no ritmo das exportações. "As vendas para os EUA cresceram 40% nos dois últimos anos", pontua Letícia, que cuida da área comercial da empresa familiar. 
As roupas femininas em tricô produzidas em uma fábrica na zona Sul de Porto Alegre, empregando cerca de 70 funcionários, hoje vão a 12 países, mas as compra do varejo norte-americano respondem por 90% do volume e das receitas da Maria Pavan, observam as duas irmãs.
Hoje o front externo responde por quase 40% da receita da marca. Mariana, que comanda a produção e criação de coleções, diz que a marca conquistou o mercado dos EUA sabendo dosar "sensualidade e estilo que agrade às americanas". "Fizemos adequação do produto", diz Mariana. "Tem o conservadorismo do estilo das clientes aqui, mostrado com sensualidade", acrescenta Leticia. 
A marca fica na área chamada de Edit, que valoriza o design diferenciado. O estande está sempre movimentado por compradores, entre os cerca de 45 atuais de diversos estados, e novos. A participação tem 50% de subsídio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Segundo Leticia, a vantagem de estar no mercado dos EUA é conseguir melhores preços, mesmo com volume que não cresce muito. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Resultados da BASF em ambiente de mercado adverso ficaram significativamente abaixo do sólido trimestre do ano anterior.

Grupo BASF - 2º trimestre de 2023:

As vendas caíram 24,7%, totalizando € 17,3 bilhões

O EBIT antes de itens especiais diminuiu € 1,3 bilhão, totalizando € 1 bilhão 

Perspectiva ajustada para 2023:

Vendas esperadas entre € 73 bilhões e € 76 bilhões

Previsão de EBIT antes de itens especiais entre € 4 bilhões e € 4,4 bilhões

Em um ambiente de mercado adverso, as vendas do Grupo BASF no segundo trimestre de 2023 caíram 24,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando €17,3 bilhões. "Enfrentamos uma baixa demanda das principais indústrias clientes, exceto o setor automotivo", disse Dr. Martin Brudermüller, Presidente do Conselho da Diretoria Executiva da BASF, ao apresentar os resultados juntamente com o Diretor Financeiro, Dr. Dirk Elvermann. 

A BASF já havia ajustado suas perspectivas para 2023 e divulgado números preliminares no dia 12 de julho. A queda nas vendas foi impulsionada principalmente por preços mais baixos, sobretudo nos segmentos de Produtos Químicos, Tecnologias de Superfície e Materiais. O segmento de Soluções Agrícolas conseguiu implementar um aumento de preços. Volumes de vendas menores gerados por uma demanda mais baixa prejudicaram o desempenho das vendas em todos os segmentos. Além disso, os efeitos cambiais reduziram as vendas. 

A lucro operacional (EBIT) antes de itens especiais de € 1 bilhão no segundo trimestre de 2023 ficou € 1,3 bilhão abaixo do valor do mesmo período do ano anterior. Quase todos os segmentos contribuíram para esse resultado, com quedas significativas nos lucros, principalmente os segmentos de Produtos Químicos e Materiais. O EBIT antes de itens especiais do segmento de Soluções Agrícolas teve um leve declínio. A divisão Tecnologias de Superfície obteve um ligeiro crescimento nos lucros. O EBIT antes de itens especiais atribuíveis à categoria “Outros” melhorou consideravelmente. O EBIT teve uma queda de € 1,4 bilhão, totalizando € 974 milhões. Esse valor inclui o lucro de empresas integrais contabilizadas pelo método de equivalência patrimonial no valor de €22 milhões (período do ano anterior: € 101 milhões).  

A lucro operacional antes da depreciação, amortização e itens especiais (EBITDA antes de itens especiais) teve uma queda de € 1,3 bilhão, totalizando € 1,9 bilhão. O EBITDA, por sua vez, diminuiu € 1,5 bilhão, atingindo € 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2023. O lucro líquido foi de € 499 milhões em comparação com € 2,1 bilhões no mesmo trimestre do ano anterior. 

Desenvolvimento de fluxos de caixa no segundo trimestre de 2023 

Os fluxos de caixa das atividades operacionais totalizaram cerca de € 2,2 bilhões no segundo trimestre de 2023, € 950 milhões acima do valor do mesmo período do ano anterior. Os pagamentos realizados para ativos intangíveis e Patentes, plantas e equipamentos aumentaram em € 381 milhões em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, totalizando € 1,3 bilhão. Dessa forma, no segundo trimestre de 2023, o fluxo de caixa livre foi de € 905 milhões, uma melhora de € 569 milhões em comparação com o segundo trimestre de 2022. 

Desenvolvimento dos segmentos da BASF no segundo trimestre de 2023 

As vendas no segmento de Produtos Químicos no segundo trimestre de 2023 diminuíram 38,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior e totalizaram € 2,7 bilhões. Preços menores das matérias-primas, combinados com excesso de oferta e demanda mais fraca levaram a preços mais baixos em ambas as divisões operacionais. Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o EBIT antes de itens especiais diminuiu 76,3%, chegando a € 202 milhões.  

Com € 3,6 bilhões, as vendas no segmento de Materiais foram 25,8% menores do que no sólido trimestre do ano anterior. A queda nas vendas resultou principalmente de preços significativamente mais baixos em todas as regiões devido à redução dos preços das matérias-primas. Além disso, no segundo trimestre de 2023 o desempenho das vendas foi prejudicado por conta de uma nova deterioração da demanda. O EBIT antes de itens especiais diminuiu 60,4% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e totalizou € 265 milhões.  

As vendas no segmento de Soluções Industriais diminuíram 22,5% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, totalizando € 2,1 bilhões. Esse indicador foi impulsionado principalmente por uma queda acentuada nos volumes resultante de uma demanda mais fraca. O EBIT antes de itens especiais caiu 61,6%, totalizando € 124 milhões no segundo trimestre de 2023.  

Com € 4,2 bilhões, as vendas no segmento de Tecnologias de Superfície foram 22,4% menores do que no segundo trimestre de 2022. O desempenho das vendas do segmento foi impactado principalmente pelos preços significativamente mais baixos dos metais preciosos na divisão Catalysts. O segmento aumentou o EBIT antes de itens especiais em 1,5% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, atingindo € 230 milhões. Um crescimento considerável dos lucros na divisão Coatings mais do que compensou o declínio no EBIT antes de itens especiais na divisão Catalysts. 

As vendas de € 1,7 bilhão no segmento Nutrição e Cuidados foram 17,4% menores do que no mesmo trimestre do ano anterior. O desempenho das vendas foi atribuído a um acentuado declínio nos volumes em todas as áreas de negócios, como resultado da menor demanda. O EBIT do segmento antes de itens especiais diminuiu 84,8%, chegando a € 33 milhões.  

No segmento de Soluções Agrícolas, as vendas de € 2,2 bilhões ficaram 9,3% abaixo do nível do mesmo trimestre do ano anterior. A principal razão foi a queda nos volumes devido ao aumento dos estoques dos canais nos principais mercados individuais, bem como aos preços mais baixos das commodities agrícolas. Com € 213 milhões, o EBIT antes de itens especiais ficou 4,3% abaixo do mesmo trimestre do ano anterior, especialmente devido aos volumes menores. 

As vendas em “Outros” caíram 30% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, totalizando € 799 milhões. Isso ocorreu principalmente devido à redução das vendas no comércio de commodities. Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o segmento “Outros” registrou uma melhora de 64,1% no EBIT antes de itens especiais, para menos € 60 milhões. Isso foi resultado principalmente de uma melhor contribuição das seguradoras. 

Medidas para aumentar a competitividade

A BASF está implementando uma série de medidas para melhorar a competitividade. Como anunciado no final de fevereiro, a empresa está realizando um programa de redução de custos com foco na Europa, e está adaptando suas estruturas Verbund em Ludwigshafen, Alemanha. "Juntamente com as iniciativas que já estavam em andamento em nossas unidades de serviços globais, reduziremos os custos fixos até o final de 2026 para que diminuam cerca de € 1 bilhão anualmente", disse Elvermann. Até o final de 2023, a BASF espera obter uma economia anual de mais de € 300 milhões com o programa de redução de custos. "Além disso, controlamos de forma contínua e rigorosa nossos custos fixos e evitamos custos discricionários sempre que possível. Temos um foco maior na gestão de caixa para otimizar nosso fluxo de caixa livre. Ao longo do ano, continuaremos reduzindo nossos níveis de estoque", acrescentou Elvermann. 

 Perspectivas do Grupo BASF para 2023

"Para o segundo semestre de 2023, não esperamos um enfraquecimento adicional da demanda em nível global, pois os estoques de matérias-primas químicas na maioria das indústrias clientes já foram bastante reduzidos", disse Brudermüller. "No entanto, acreditamos que haverá apenas uma recuperação preliminar, pois esperamos que a demanda global por bens de consumo cresça mais lentamente do que o previsto anteriormente. Dessa forma, as margens devem permanecer sob pressão." 

As premissas para o ambiente econômico global em 2023 foram ajustadas devido às mudanças no cenário econômico (premissas anteriores a partir do Relatório da BASF de 2022 entre parênteses; premissas de crescimento atuais estão arredondadas). Seguem premissas: 

Crescimento do produto interno bruto: 2,0 % (1,6 %)

Crescimento da produção industrial: 1,0 % (1,8 %)

Crescimento da produção de produtos químicos: 0,0 % (2,0 %)

Taxa de câmbio média euro/dólar de $ 1,10 por euro 

($ 1,05 por euro)

 Preço médio anual do petróleo (petróleo Brent) de $80 por barril 

($ 90 por barril)

Com base nas expectativas ajustadas para um maior desenvolvimento no segundo semestre do ano, a previsão do Grupo BASF para o exercício social de 2023 foi ajustada da seguinte forma (previsão anterior a partir do Relatório da BASF de 2022 entre parênteses): 

Vendas entre € 73 bilhões e € 76 bilhões (entre € 84 bilhões e € 87 bilhões)

EBIT antes de itens especiais entre € 4 bilhões e € 4,4 bilhões 

(entre € 4,8 bilhões e € 5,4 bilhões)

Retorno sobre o capital empregado (ROCE) entre 6,5% e 7,1% 

(entre 7,2 por cento e 8,0 por cento)

Emissões de CO2 entre 17 milhões de toneladas métricas e 17,6 milhões de toneladas métricas (entre 18,1 milhões de toneladas métricas e 19,1 milhões de toneladas métricas)

domingo, 17 de setembro de 2023

Uma das maiores cooperativas do Sul do país lança metas rumo ao carbono zero

Em um fórum sobre ESG, a Frimesa anuncia planos e se compromete em zerar emissões de carbono e reduzir pela metade o uso de embalagens plásticas até 2040

Fórum da Frimesa em Curitiba, no Paraná: evento reuniu especialistas, colaboradores, clientes e fornecedores para debater as melhores práticas em ESG (Frimesa/Divulgação)

Fórum da Frimesa em Curitiba, no Paraná: evento reuniu especialistas, colaboradores, clientes e fornecedores para debater as melhores práticas em ESG (Frimesa/Divulgação)

A história da Frimesa começou em 1977, quando quatro cooperativas reuniam 6,8 mil produtores no sudoeste do Paraná com a missão de assegurar a eles uma renda justa. Mais de quatro décadas depois, a central, que hoje reúne cinco cooperativas que atuam nas cadeias de carne suína e lácteos, segue com o mesmo propósito, mas agora pautado em compromissos ESG de curto, médio e longo prazo.

Os planos de uma das maiores cooperativas do Sul do país para zerar as emissões de carbono direto até 2040 foram anunciados em agosto, durante o Fórum ESG em Curitiba, no Paraná. “Por sua própria natureza, o sistema de cooperativismo já traz embutido muito do social e da governança. Agora, soma-se a esses pilares a preocupação com as questões climáticas e ambientais”, diz Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa.

Além dele, o evento contou com uma palestra sobre créditos de carbono com o professor Carlos Roberto Sanquetta, uma das maiores autoridades brasileiras em aquecimento global, e com a participação de empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES e BRDE, que debateram sobre linhas de crédito, exigências e potenciais do setor. Copersucar, Klabin, Outback, Sodexo e a Associação Paranaense de Supermercados também marcaram presença com seus cases de sucesso.

Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa: entre os planos de uma das maiores cooperativas do Sul do país está a meta de zerar as emissões de carbono direto até 2040

Metas ESG

Entre os planos da Frimesa está o de implementar até 2025 práticas de biossegurança em 80% de suas granjas de suínos (são 15 mil porcos abatidos por dia), além de reduzir em 25% o número de acidentes graves, reutilizar até 10% da água do manejo das criações, e implementar políticas de bem-estar animal.

Para 2030, os objetivos vão além. A Frimesa se compromete a universalizar a rastreabilidade da cadeia de suprimentos, atingir a meta de 95,7% das fontes de energia provenientes de recursos renováveis nas indústrias, e ter mulheres e outras minorias em pelo menos 30% dos cargos de gestão. “Temos fábricas com mais de 7 mil colaboradores. Nosso desafio maior é educar para a diversidade neste ambiente”, comenta Zydek.

Vencidas as barreiras, a sensação de missão cumprida da Frimesa virá em 2040, com a neutralização de 100% das emissões de carbono no escopo 1 (gases produzidos diretamente pela atividade da empresa), e a redução, pela metade, do uso de embalagens plásticas.

Concurso do FNDE é publicado com 300 vagas e salário inicial acima de R$ 7 mil

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação exige nível superior em qualquer área. Prazo é até 06 de outubro. Veja como participar

A seleção vai contar com prova objetiva e discursiva, que serão aplicadas no dia 3 de dezembro de 2023, segundo o edital (sengchoy/Getty Images)

A seleção vai contar com prova objetiva e discursiva, que serão aplicadas no dia 3 de dezembro de 2023, segundo o edital (sengchoy/Getty Images)

Layane Serrano -
Publicado em 15 de setembro de 2023 às, 14h21.

O edital para o concurso público do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi publicado e 100 vagas imediatas e 200 para cadastro de reserva para o cargo de Especialista em Financiamento e Execução de Programas e Projetos Educacionais, de nível superior, com remuneração inicial de R$ 7.938,73.

Como se inscrever?

Os candidatos poderão se inscrever no período de 18 de setembro a 06 de outubro, exclusivamente pelo site da banca organizadora, o Cebraspe. Provas objetivas serão aplicadas em 03 de dezembro de 2023. A taxa de inscrição foi fixada em R$ 80.

Como serão as provas?

A seleção vai contar com prova objetiva e discursiva, que serão aplicadas no dia 3 de dezembro de 2023, segundo o edital.

Na objetiva, serão cobradas 50 questões de conhecimentos básicos e 120 de conhecimentos específicos.

Já a discursiva será composta por uma dissertação sobre temas relacionados à administração pública, direito constitucional, direito administrativo ou legislação educacional, além de uma questão a ser respondida em até 15 linhas sobre temas relacionados às mesmas áreas.

Quais serão os conhecimentos mais requiridos?

Pelo conteúdo programático listado no edital, a carreira por meio deste concurso será mais voltada para a administração pública que efetivamente para a educação, segundo Carlinhos Costa, coordenador de carreiras educacionais do Gran, uma vez que os aprovados vão lidar com licitações, pagamentos, contratações e outras questões administrativas do órgão.

“O Especialista em Financiamento e Execução de Programas e Projetos Educacionais é o profissional que vai fazer as disposições de recursos para os projetos de educação. Por exemplo, o Programa Nacional do Livro Didático, que recebe recursos do FNDE, esse especialista vai analisar as licitações, fazer os pagamentos, as contratações, assim como em todos esses programas nacionais que estão ligados à educação”, diz Costa.

A natureza do cargo exige conhecimentos de administração financeira e orçamentária, e por isso essa deve ser a parte mais difícil da prova e deve ser cobrada em alto nível, reforça o especialista.

“Podemos esperar uma prova difícil e com muitos candidatos, já que exige um conhecimento amplo e exige formação superior em qualquer área.”

Vai sair na frente quem dominar os conteúdos de administração financeira orçamentária, administração pública e legislação educacional, tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional quanto do Fundeb, afirma o professor.

“A LDB e o Fundeb são leis difíceis, complexas e se a pessoa vai começar a estudar agora é exigido que ela tenha alto grau de preparação. Como há pouco tempo para essa preparação ampla, a dica é que o candidato faça muitas questões da banca para entender como essas disciplinas são cobradas pelo Cebraspe. O mais importante é conseguir dominar essas leis, e já adianto que o Cebraspe costuma cobrar esse conteúdo de forma pesada”.

Veja as dicas adicionais do especialista:

Para entender como as disciplinas serão cobradas, o candidato deve fazer muitas questões anteriores do Cebraspe. Aqui o alerta é sobre o formato usual de cobrança de banca, e que uma questão errada anula uma certa. Por isso, o candidato deve ter cuidado com os chutes.

Todas as etapas acontecerão no mesmo dia, mas em períodos diferentes. Por isso, a prova objetiva foi dividida em duas partes (conhecimentos básicos e específicos), assim como a discursiva (dissertação e questão). Pela manhã serão aplicadas a prova de conhecimentos básicos e a dissertação, e à tarde será a vez da prova objetiva de conhecimentos específicos e da questão discursiva. Com esse cronograma, o candidato deve preparar o corpo e a mente para uma prova longa e cansativa. O ideal é descansar e se alimentar bem nos dias anteriores.

Na etapa discursiva que traz a questão, que deve ser respondida em até 15 linhas, podemos esperar uma situação problema, que acredito que esteja ligada à legislação educacional ou aos princípios constitucionais dos recursos financeiros, pensando na natureza do cargo.

Já a dissertação deve estar mais ligada a problemas atuais e programas de governo, que são temas que conseguem envolver os demais temas sugeridos no edital (administração pública, direito constitucional, direito administrativo ou legislação educacional). Além disso, a dissertação pode ter até 90 linhas, então o grau de exigência deve ser bem alto.

Formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Com experiência em comunicação corporativa, produção de TV e redação, ajudou na estreia da CNN no Brasil e atualmente escreve sobre Carreira e Negócio na Exame

Amy Webb, a futurista das 666 previsões: "não vejo estratégias inteligentes para mudar o status quo"

Escritora e fundadora do Future Today Institute concedeu palestra a brasileiros no SDGs in Brazil, evento do Pacto Global realizado na sede das Nações Unidas, em Nova York

Amy Webb, futurista: "Algumas vezes as pessoas pensam que para ser ESG e resolver problemas ambientais e sociais os negócios não podem fazer dinheiro" (Leandro Fonseca/Exame)

Amy Webb, futurista: "Algumas vezes as pessoas pensam que para ser ESG e resolver problemas ambientais e sociais os negócios não podem fazer dinheiro" (Leandro Fonseca/Exame)


Marina Filippe - De Nova York* - Publicado em 17 de setembro de 2023 às, 13h07.

O Brasil é o país do futuro. Mas não é de hoje. De acordo com Amy Webb, fundadora e CEO do Future Today Institute, a frase foi usada pela primeira vez em 1941 e repetida ao longo dos anos. A escritora e futurista americana, que lançou um livro com 666 previsões, concedeu uma palestra no evento SDGs Brazil, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Para ela, é preciso primeiro olhar para o passado e o presente e entender como as companhias do país ainda estão presas no século XX. "Eu tenho muito respeito pelo ecossistema de negócios do Brasil. As companhias estão trabalhando duro para estar no futuro, mas sabemos que grande parte delas causam devastação aos povos indígenas e a Amazônia. Não podemos culpar uma empresa ou uma pessoa, mas eu não estou vendo estratégias inteligentes para mudar o status quo."

O executivo Jack Welch, ícone de gestão, continua influenciando as operações brasileiras mesmo depois de sua morte, segundo Webb. "O que ele disse ser bom foi uma estratégia de cortes de empregos, má decisões para o meio ambiente e, consequentemente para as empresas, pois isso não é sustentável e não traz inovação".

O Brasil do futuro só pode então ser construído com mudança de pensamento ao olhar para o que os líderes inovadores estão fazendo ao redor do mundo. "Minha questão para hoje é: e se Brasil puder ser rico e verde no futuro? Penso que algumas vezes as pessoas pensam que para ser ESG e resolver problemas ambientais e sociais os negócios não podem fazer dinheiro".

Agropecuária como exemplo de inovação

Para pensar naquilo que o Brasil pode ser, Webb usou de exemplo a agropecuária. "Os brasileiros comem cerca de 40 quilos de frango por ano. E eu não entendo isto, especialmente com o consumo de carne aumentando e consequentemente o uso de terra para a agropecuária. As florestas são removidas para haver mais espaço para agricultura. E isto não é bom para o meio ambiente. Uma fazenda do futuro tem um “bioreator” para produzir carne a partir de insumos biológicos que molecularmente é mesma coisa que uma vaca, mas sem desmatamento". afirma.

Para ela, a biologia sintética é um caminho para manipular o código biológico para novos propósitos. "É uma forma de usar essas tecnologia para desbloquear possibilidades, como “crescer” carne num espaço pequeno, assim como nylon, algodão, medicamentos e outros produtos. A coisa mais importante agora não é chat GP, é biologia e é nisto que o Brasil deve focar".

Ao desenvolver tecnologia é preciso considerar também a resolução de problemas políticos e sociais. "A vulnerabilidade me preocupa. O Brasil tem desafios políticos em um mundo que está se reorientado. Esta é a hora de perceber isto e mudar a estratégia para prover uma agricultura sustentável, que permita o país ser um grande exportador de soja, algodão e outros insumos sem agredir o meio ambiente", afirma.

E isto só será possível com uma estratégia de negócios mais agressiva. "O Brasil pode criar um futuro melhor e é por isto que estamos aqui, mas é preciso agilidade e agressividade. No presente podemos fazer decisões de operações, algo que as empresas brasileiras sabem fazer. Mas ainda é necessária mais visão de longo prazo e tomada de risco. O Brasil é o país do futuro, e penso que podem ser bons anscenstrais no furuto se forem bons líderes de negocio hoje".

Marina Filippe - Repórter de ESG - Mestre em Ciência da Comunicação pela USP. Na EXAME, desde 2016, escreveu em negócios, gestão e sustentabilidade. Foi finalista dos prêmios de Jornalismo Inclusivo e Comunique-se, e reconhecida entre os Mais Admirados da Imprensa.

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