sexta-feira, 3 de outubro de 2025

 

29.jan.2024 às 16h40
Gabriela Bonin - São Paulo

Como identificar e combater a síndrome do impostor no trabalho

Fenômeno é caracterizado por insegurança e autossabotagem; newsletter FolhaCarreiras dá dicas para superá-lo

É normal sentir-se inseguro no trabalho. Mas insegurança constante e em excesso pode ser um problema.

A síndrome do impostor é o nome dado para quando uma pessoa desconfia das próprias capacidades e acredita que é uma fraude prestes a ser descoberta, mesmo sendo bem-sucedida.

Importante: não é um transtorno mental, é um fenômeno comportamental.

Apesar de existir há bastante tempo, a síndrome do impostor fica evidente devido às transformações do mercado de trabalho, aponta Maria Eduarda Silveira, headhunter e sócia fundadora da Bold HRO, consultoria de recrutamento e desenvolvimento organizacional.

"Quantas vezes a gente escuta que precisamos ter novas habilidades? Que a inteligência artificial vai roubar nossos empregos se a gente não se reinventar? O mercado está mais ansioso", exemplifica.

Chefe feminina irritada repreendendo trabalhador de escritório assustado. O líder gerente exigente está irritado com a preguiça e os erros no trabalho do funcionário. Liderança autoritária, abuso de poder, prevaricação no cargo.

Sentir que pode ser desmascarado a qualquer momento é um dos sinais da síndrome do impostor - Adobe Stock

Conheça alguns dos sinais da síndrome do impostor:

1. Baixa autoestima. Desmerecer suas próprias conquistas e não se sentir apto para enfrentar determinados desafios.

2. Autossabotagem. Perder oportunidades por acreditar que não é capaz, exemplifica a psicóloga Rita Passos, presidente da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida).

"A pessoa começa a recusar determinadas tarefas que poderiam colocá-la em maior evidência", explica.

3. Estado de vigilância e ansiedade. Sentir que pode ser desmascarado a qualquer momento, ter medo de se colocar em situações em que poderia ser "descoberto" e fazer autoavaliações constantes.

4. Perfeccionismo e procrastinação. Há uma tendência a um estilo de trabalho mais disfuncional, com cobrança excessiva, segundo a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, cofundadora da Caliandra Saúde Mental, empresa especializada em saúde mental corporativa.

"A pessoa faz uma autoavaliação muito crítica. Nunca está bom, então fica procrastinando, o que traz um sofrimento maior", diz.

Há um grupo mais afetado? A síndrome do impostor é um fenômeno social, além de emocional, argumenta Rita Passos, e há grupos mais socialmente vulneráveis que ficam mais sucetíveis a ela.

"Pessoas não brancas, a comunidade LGBTQIAP+ e pessoas com deficiência são grupos que precisam desempenhar mais, mostrar mais esforço e superar o estigma, o que gera um estado de ansiedade grande", comenta.

O que é a síndrome do impostor

E como combater a síndrome do impostor? Se você se identificou com os sinais que eu trouxe acima, veja algumas dicas:

Valide seu sentimento. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que você está se sentindo dessa forma.

Compartilhe esse sentimento. Fale com colegas, familiares, com seu chefe ou mentor e, até, com alguém que você admira na empresa.

Registre elogios e conquistas. Anotar no papel ou no computador pode fazer com que, nos momentos de desespero e insegurança, você possa se lembrar de suas habilidades e realizações.

"Tenha ciência do nosso padrão de pensamento negativo e desafie essa tendência de autodepreciação", diz Passos.

Faça terapia. "A psicoterapia ajuda muitíssimo a identificar quais os nossos medos e ensina a colocar nós mesmos como o centro de comparação, não o outro", argumenta a psiquiatra Camila Magalhães.

Mas... Nem tudo está nas suas mãos. Na seção abaixo, explico por que a empresa em que você trabalha pode influenciar sentimentos de insegurança.

Como o ambiente de trabalho pode potencializar a síndrome do impostor

As culturas organizacionais fazem a diferença quando falamos de síndrome do impostor, diz Maria Eduarda Silveira. "A gente precisa identificar que tipo de cultura faz mais sentido para nosso perfil de trabalho", explica.

Exemplifico: se você está em um ambiente competitivo, mas seu estilo de trabalho é mais colaborativo, sua produtividade pode ser afetada. Consequentemente, você pode se sentir uma fraude —mas só está no lugar errado.

Se as metas de uma empresa são inalcançáveis ou, por exemplo, se não há representatividade para o colaborador na empresa, ele não vai conseguir crescer e não vai se sentir confortável naquele ambiente, argumenta a headhunter.

E aí entra o papel do gestor. Não é sobre ser um chefe bonzinho, mas sobre ter uma gestão individualizada, que enxerga que alguém na equipe está se sentindo inseguro. "Uma conversa pode direcionar essa pessoa e fazer com que ela desempenhe melhor", diz Silveira.

30.set.2025 às 14h30
Natalia Beauty - Multiempreendedora e fundadora do Natalia Beauty Group
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/natalia-beauty/2025/09/o-golpe-da-mentoria-feminina-e-a-infantilizacao-das-empreendedoras.shtml

O golpe da mentoria feminina e a infantilização das empreendedoras

Cobram fortunas por 'sabedoria' em PDFs de baixa qualidade

Ensinam a 'atrair clientes', mas não a calcular o fluxo de caixa

A explosão de "mentoras quânticas de negócios femininos" no Instagram brasileiro revelou um nicho perturbador: mulheres cobrando R$ 10 mil para ensinar outras mulheres a "despertar a deusa empresária interior" enquanto vendem planilha de Excel como "ferramenta sagrada de abundância financeira".

É a regra num mercado que descobriu que vulnerabilidade feminina dá mais lucro do que curso de trader.

Vou contar uma verdade desconfortável: a maior parte dessas mentoras de sucesso feminino nunca teve um negócio além de vender mentoria. É um esquema de pirâmide emocional onde cada "graduada" vira mentora para pagar o que investiu, criando uma corrente infinita de mulheres vendendo autoestima empresarial para mulheres.

Três mãos seguram celulares com telas iluminadas em frente a um grande logo colorido do Instagram desfocado ao fundo.

O script é sempre o mesmo. Primeiro vem o story chorando sobre como era infeliz no CLT. Depois a revelação divina no retiro em Bali, a descoberta do "propósito" e finalmente, a generosa decisão de compartilhar essa sabedoria mediante transferência via Pix em 12 x sem juros.

Conheci uma empresária que pagou R$ 8 mil num programa de "aceleração do feminino nos negócios". O conteúdo? Meditação guiada para "atrair cliente ideal", exercício de journaling (anotar pensamentos, sentimentos e experiências para autoconhecimento) sobre traumas de infância que bloqueiam vendas e uma aula sobre como precificar baseada em "energia do seu útero criativo". Ela tem uma confecção e precisava de gestão de estoque.

O mais cruel é que essas mentoras se aproveitam exatamente da insegurança que dizem combater. Mulheres que já sofrem com síndrome de impostora no mercado são convencidas de que precisam de mais um curso, mais uma imersão, mais uma jornada de autoconhecimento antes de serem "dignas" do sucesso.

Enquanto homens medíocres abrem negócio depois de ver três vídeos no YouTube, mulheres estão há dois anos se "preparando energeticamente" para empreender, gastando R$ 50 mil em cursos que misturam Canvas, Business, Model, com carta de tarô.

A indústria da mentoria feminina criou um paradoxo perverso: quanto mais "empoderada" a mulher fica, mais cursos ela compra. Por que o empoderamento vendido não é sobre construir competência real, mas sobre alimentar uma dependência emocional de validação externa empacotada como jornada interior.

Sabe o que nenhuma dessas mentoras ensina? Fluxo de caixa, precificação baseada em margem de contribuição, gestão tributária, capital de giro, as coisas chatas que realmente fazem um negócio sobreviver. Mas esse conteudo não vende. O que vende é promessa de transformação pessoal disfarçada de estratégia empresarial.

Tem mentora cobrando R$ 15 mil para ensinar "marketing do sagrado feminino". Na prática? Como fazer carrossel no Canva com fonte cursiva e foto com filtro vintage. Mas vem embalado em papo sobre "arquétipos de marca" e "storytelling da alma".

O resultado? Uma geração de empreendedoras que sabem tudo sobre "mindset de abundância" mas não conseguem calcular o próprio DRE, que investem mais em "desenvolvimento pessoal" do que em desenvolvimento de produto e que confundem terapia com consultoria empresarial.

Não estou dizendo que desenvolvimento pessoal não importa. Estou dizendo que cobrar R$ 20 mil para fazer roda de conversa sobre bloqueios emocionais e chamar isso de "mastermind empresarial" é charlatanismo com verniz de sororidade. 

A prova definitiva do golpe? Pergunta para qualquer uma dessas mentoras quantas alunas delas construíram negócios sustentáveis que não sejam vender mentoria. O silêncio vai ser ensurdecedor.

Mas o mercado continua bombando, porque é mais fácil vender sonho para mulher desesperada do que ensinar ela a ler um balanço patrimonial. É muito mais lucrativo convencer alguém de que o problema é espiritual quando na verdade é falta de conhecimento técnico.

Empoderamento feminino real seria ensinar mulheres a identificar esses golpes emocionais. Mas isso não dá match com a estética de feed que vende programa de 5 dígitos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

O drama silencioso do dinheiro

O dinheiro pode ser bálsamo ou tormento. Pode vestir de serenidade o coração que o administra com sabedoria, ou lançar em noites insones aquele que se deixa dominar pela ansiedade da posse e do consumo. Ele é paradoxal: fonte de tranquilidade para uns, de inquietação para outros. Tudo depende da forma como nos relacionamos com ele.

Ao longo da vida, somos desafiados a refletir sobre o verdadeiro valor das coisas. Não apenas o preço que se paga, mas o custo invisível que recai sobre nossas escolhas: o tempo que se sacrifica, a energia que se consome, a liberdade que se perde. É nesse ponto que o dinheiro deixa de ser apenas moeda e se torna espelho — refletindo nossas prioridades mais íntimas.

Cultivar equilíbrio financeiro não é mero cálculo de planilhas, mas exercício de consciência. É compreender que gastar é decidir, que poupar é preparar o futuro, e que investir é confiar que o amanhã merece nascer com frutos. O dinheiro, por si só, não traz felicidade; ele apenas amplifica a essência de quem o possui.

Quem não sabe o que fazer com ele perde-se na ilusão de que acumular basta. Mas quem aprende a conduzi-lo descobre que a verdadeira riqueza não está em ter, mas em viver com propósito, em usar cada recurso como ferramenta para realizar o que realmente importa.

Assim, o dinheiro permanece como drama e enigma: nunca bom nem mau por si só, mas sempre revelador da alma que o maneja.


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Estresse, Estafa e Fadiga: Entre a Razão e a Alma

Começar uma semana é também revisitar os pesos que carregamos. E entre tantos, três se confundem facilmente: estresse, estafa e fadiga. Embora aparentem ser sinônimos, são diferentes rostos de um mesmo desgaste.

O estresse é, em sua essência, uma resposta natural do corpo a pressões e desafios. Pode ser até adaptativo, ajudando a enfrentar situações difíceis. Normalmente, tem causa e duração definidas: surge, cumpre sua função e, quando bem administrado, se dissipa. Mas quando se prolonga, deixa de ser aliado e se torna corrosivo, minando a vitalidade.

A estafa, ao contrário, já não é reação passageira: é um colapso. É fruto do estresse contínuo, das pressões acumuladas, do excesso de trabalho e de informações. Nesse estado, corpo e mente já não encontram recursos para reagir. A concentração falha, a memória se perde em lapsos, e até o descanso deixa de ser reparador. É o esgotamento em sua forma mais dura.

A fadiga é o sintoma persistente que atravessa ambos os estados. Mas, na estafa, ela ganha contornos mais graves: não desaparece com sono, café ou lazer. É um peso que acompanha os passos, uma sombra que rouba o vigor e torna a vida mais lenta, mais cinzenta, mais distante de si mesma.

Entrelaçados, esses três conceitos revelam um mesmo alerta: viver no limite não é sustentável. O estresse, quando não administrado, empurra para a estafa; e a fadiga, quando ignorada, transforma-se em ferida aberta do corpo e da alma.


Afeto, Doçura e Delicadeza: O Triângulo da Sensibilidade Humana

Há palavras que não se leem apenas com os olhos, mas com o coração. Afeto, doçura e delicadeza estão entre elas. Cada uma nomeia um aspecto da sensibilidade, mas todas se encontram no mesmo território: o da humanidade que se reconhece na ternura.

O afeto é a raiz. É aquilo que nos atravessa, aquilo que sentimos antes mesmo de nomear. Ele pode ser alegria ou tristeza, esperança ou desânimo, porque é sempre a emoção que nos movimenta. É o chão fértil sobre o qual brotam os vínculos, sejam de amor, amizade ou até mesmo dor. O afeto é o que nos torna permeáveis: o riso diante de uma boa notícia, as lágrimas diante da perda, a emoção diante da beleza inesperada.

A doçura, por sua vez, é a forma como esse afeto se apresenta quando o mundo se torna terno. Está no tom sereno de uma voz, no sabor que acalma, no gesto que acaricia sem ferir. A doçura não exige grandezas: basta um sorriso oferecido no momento certo para suavizar o peso de um dia. É qualidade intrínseca, um modo de ser que transforma a aspereza em melodia.

A delicadeza é o gesto que completa essa tríade. Diferente da doçura, que nasce de dentro, a delicadeza é ação: é cuidado que se traduz em movimento. Está no toque leve que consola, na palavra escolhida com tato, na atenção aos detalhes que parecem pequenos, mas que revelam grandeza. Ser delicado é, antes de tudo, evitar a rudeza, reconhecendo que tudo ao redor é feito de fragilidade.

Juntas, essas três dimensões nos lembram de que a vida não é sustentada apenas pela força ou pela razão. Precisamos do afeto para sentir, da doçura para suavizar, da delicadeza para construir pontes sem feridas. E talvez, no fundo, seja isso que mantém a humanidade de pé: não os grandes feitos, mas os pequenos gestos que, silenciosamente, devolvem cor ao cinza dos dias.


 

sábado, 26 de julho de 2025

Cinco tipos de riqueza para a vida dos sonhos
Jaime Cimenti

Muitos acham que o dinheiro é o aspecto mais importante da vida e passam décadas buscando ganhar e acumular moeda ao máximo. Outros entendem que no banco há riqueza, mas não felicidade. Há quem priorize o amor, o desprendimento, a saúde física e mental, o tempo livre e as relações familiares e sociais.

Os 5 tipos de riqueza (Editora Intrínseca, 400 páginas, R$ 59,90), do consagrado Sahil Bloom, escritor, criador de conteúdo inspiracional, da newsletter The Curiosity Chronicle e da SRB Holdigns e sócio do fundo SRB Ventures, é um guia tranformador, profundo e consistente para a conquista da vida dos sonhos.

O autor ganhava milhões de dólares e levava uma vida "perfeita" na Califórnia. Sua busca incessante por mais e mais dinheiro o impedia de ver a beleza que tinha diante de si. Relacionamentos e saúde física e mental eram deixados de lado por ele em favor de conseguir sucesso a todo custo. O diálogo com um amigo sobre os pais de Bloom o acordou para grandes mudanças.

Nesta obra, dividida em cinco partes, o autor fala na busca de equilíbrio resultante da obtenção de riquezas de tempo, social, mental, física e financeira. Bloom acredita que a prosperidade não é um objetivo, e sim o caminho.

"Prosperar não é o estágio final - é uma jornada contínua. Sua vida não segue uma linha reta e constante no tempo. Ela oscila e tem fases naturais, cada uma definida por diferentes desejos, necessidades, prioridades e desafios", escreveu Sahil Bloom, que ensina a delegar tarefas neutras para ter mais tempo para lidar com a rotina, propõe estabelecer laços profundos e construir uma poderosa rede de contatos e incentiva a descobrir um propósito para estimular o crescimento contínuo. Ele igualmente incentiva a maximizar a saúde e a vitalidade, a alcançar independência financeira e definir o que é suficiente para os leitores para viver com a maior felicidade possível.

O livro de Bloom ajuda a interpretar nossa melhor trajetória, fazer as melhores escolhas, firmar bons propósitos e tomar decisões para ter uma vida com bem-estar e felicidade.

 Idoso ou velho?

Quando eu estava na flor dos meus 40 anos, comecei a ouvir Bach, ler mais filosofia, pensar em Deus,na morte e outras finitudes e refleti sobre o que realmente era importante fazer da vida. Na época, pai de duas meninas de 6 e um ano, pensei que deveria cuidar da saúde física e mental para ver a Laura e a Marina crescerem. Elas cresceram. Têm hoje 35 e 30 anos e, há seis meses, me tornei avô da Valentina. Ser nonno aos 71 é uma inspiração para levantar mais cedo da cama e cuidar da mente e da lataria para poder ver a netinha completar quinze anos ou mais.

A passagem do tempo tira da gente algumas energias físicas e psicológicas, mas nos oferece manhas mentais para compensar. Já é muita coisa. É aquela história, é melhor prevenir as doenças que remediar. É melhor ser idoso do que velho. Idoso é o que não atirou a toalha e segue ativo feito um japonês que não costuma se aposentar nunca.

Como esta é uma página sobre livros, falo de alguns clássicos sobre velhice.

Sobre a Velhice - De Senectude de Cícero é um belo livro sobre envelhecimento. É o primeiro tratado filosófico ocidental sobre o tema. "Velho não é quem viveu muitos anos, mas quem perdeu o entusiasmo". Ele defende não temer a velhice e vivê-la com sabedoria, tranquilidade e liberdade dos desejos.

A velhice de Simone de Beauvoir trata do isolamento, exclusão, infantilização e descarte dos velhos. Para ela, não se nasce velho, torna-se velho.

Velhice e Tempo do genial Norberto Bobbio diz que a velhice não é trágica, é diferente. Para ele envelhecer é reorganizar a relação com o passado e o futuro, e o tempo, vivido mais lentamente, tem mais recordações que expectativas. "O tempo do velho é um tempo de síntese, não de construção."

Uma história da velhice do Brasil da consagrada historiadora Mary Del Priore mostra os idosos no Brasil através dos séculos e como foram símbolo de respeito, mas também de abandono ou exclusão.

Estamos vivendo mais tempo. No Brasil mulheres vivem em média 79 anos e homens 73. Precisamos nos preparar e ao País para um envelhecimento o mais saudável possível. Como já disse, na medida do possível é melhor prevenir as doenças do que depois ter de remediá-las. Questões envolvendo obesidade, depressão, diabetes, hipertensão e cardiopatias devem ser tratadas pelos pacientes, médicos, profissionais da saúde e os governos municipais, estaduais e federal devem fazer a sua parte, pois são questões de saúde pública e todos ganharemos com os esforços que pudermos fazer.

Acho que o Estatuto do Idoso deve ser mais respeitado e que os aposentados, especialmente os do INSS, merecem mais consideração, por tudo o que fizeram. Sabe-se que o dinheiro da Previdência já foi desviado para muitas obras públicas e recentemente os idosos sofreram descontos indevidos. Os responsáveis não foram punidos, mas os aposentados receberão ao menos em parte o que lhes foi surrupiado ilegalmente.

lançamentos

O guri da feitoria (Critério, 364 páginas), do celebrado médico-cirurgião plástico Carlos Oscar Uebel, traz, com belas fotos, a trajetória desde os tempos de menino, no interior de São Leopoldo, até a presidência da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética. Filho, irmão, marido, pai e avô, Carlos viveu e vive muitas vidas, com amor, alegria, estudo, trabalho e esperança.

Viagem no país da crônica (Tinta-da-China, 304 páginas, R$ 99,90), do grande escritor, cronista e jornalista Humberto Werneck, a partir do Portal da Crônica Brasileira do Instituto Moreira Salles, fala de crônica e da geração de ouro do gênero, com nomes como Antônio Maria, Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Rubem Braga e Rachel de Queiroz, entre outros.

InComum (Bá Editora, 224 páginas), de João Lopes de Almeida, empreendedor e agitador cultural , criador do Festival Sapere Aude, Facere Aude, apresenta uma coletânea de crônicas sensíveis, bem-humoradas e bem escritas sobre infância, trabalho, vida e muito mais. "Uma coisa eu tenho certeza sobre este livro. Assim como o autor, ele vai te ensinar, te provocar e te encher de energia e de ânimo", disse Niza Guanaes no prefácio.

a propósito...

Para viver mais e melhor, é preciso se relacionar bem consigo mesmo, com a família, os amigos, colegas e demais pessoas, dormir cedo e levantar cedo e ter bom sono, boa alimentação e praticar exercícios e meditação. É bom juntar as lições orientais com as ocidentais. Tive a felicidade de passar uma semana no Kurotel Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar em Gramado, onde fui muito bem acolhido, para cuidar da mente e do corpo. Foram dias com luz, água, sol, movimentos, ótima alimentação, descanso, equilíbrio. Descobri umas coisas que eu não sabia que sabia, que é para eu ir me reinventando por aí. 

Jaime Cimenti

                 

PROCRASTINAÇÃO

Às vezes, a gente vive como se tivesse um estoque infinito de horas. Vamos empilhando adiamentos como quem guarda caixas no sótão, dizendo para nós mesmos: “mais tarde eu abro, mais tarde eu vejo, mais tarde eu vivo”. E assim a vida vai virando um eterno “depois”.

Mas o depois é uma ilusão confortável. Ele nos dá a falsa sensação de que temos domínio sobre o tempo, quando na verdade é ele que nos domina. Vamos deixando telefonemas para depois, visitas para depois, um abraço para depois. Deixamos aquele café com um amigo para depois, aquela palavra de gratidão para depois, o gesto de amor para depois. E, quando percebemos, o depois se transformou em nunca.

A procrastinação, essa arte tão disfarçada de racionalidade, parece inofensiva. “Vou fazer quando estiver mais tranquilo”, “quando sobrar tempo”, “quando as coisas acalmarem”. Só que esse tempo sereno que esperamos nunca chega. O mundo nunca para de girar para que a gente cumpra nossas promessas íntimas. E os adiamentos viram um hábito, um costume confortável e silencioso. Vamos nos acostumando a perder instantes preciosos, como se houvesse sempre um amanhã garantido.

Talvez seja por isso que a delicadeza seja tão revolucionária: porque ela pede presença. Bordar a vida - como quem dá ponto em um tecido áspero - exige parar, exige estar ali, naquele exato segundo. Não dá para bordar no futuro; só se costura no agora. O fio da delicadeza não aceita o compasso da pressa nem o adiamento das prioridades do coração.

É curioso como, quando olhamos para trás, quase sempre nos arrependemos mais do que deixamos de viver do que daquilo que fizemos. O abraço que não demos, a palavra que não dissemos, a visita que não fizemos. Quantos encontros guardamos no bolso para um depois que nunca existiu?

Por isso, talvez seja hora de um pequeno exercício: reinaugurar os gestos simples, sem calendário marcado. Borde companheirismo no presente. Borde atenção na conversa de agora. Borde cuidado no toque, no olhar, no tom de voz. Porque a vida não avisa quando muda de cor; ela apenas muda.

O depois é sempre incerto. Ele mora num lugar onde ninguém esteve ou conhece. É como um horizonte que parece perto, mas nunca se alcança. Já o agora - este minuto exato - é o tecido disponível, um tecido muitas vezes áspero, mas vivo. E nele dá para costurar delicadezas.

Que a gente aprenda a não esperar tanto. Que tenhamos a coragem de ser simples e gentis agora, antes que a vida nos escape por entre os dedos, deixando apenas a poeira dos “depois” que nunca vieram.

Uma linda tarde de Sábado pra você.

  29.jan.2024 às 16h40 Gabriela Bonin - São Paulo Como identificar e combater a síndrome do impostor no trabalho Fenômeno é caracterizado ...