segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Estresse, Estafa e Fadiga: Entre a Razão e a Alma
Começar uma semana é também revisitar os pesos que carregamos. E entre
tantos, três se confundem facilmente: estresse, estafa e fadiga.
Embora aparentem ser sinônimos, são diferentes rostos de um mesmo desgaste.
O estresse é, em sua essência, uma resposta natural do
corpo a pressões e desafios. Pode ser até adaptativo, ajudando a enfrentar
situações difíceis. Normalmente, tem causa e duração definidas: surge, cumpre
sua função e, quando bem administrado, se dissipa. Mas quando se prolonga,
deixa de ser aliado e se torna corrosivo, minando a vitalidade.
A estafa, ao contrário, já não é reação passageira: é um
colapso. É fruto do estresse contínuo, das pressões acumuladas, do excesso de
trabalho e de informações. Nesse estado, corpo e mente já não encontram
recursos para reagir. A concentração falha, a memória se perde em lapsos, e até
o descanso deixa de ser reparador. É o esgotamento em sua forma mais dura.
A fadiga é o sintoma persistente que atravessa ambos os
estados. Mas, na estafa, ela ganha contornos mais graves: não desaparece com
sono, café ou lazer. É um peso que acompanha os passos, uma sombra que rouba o
vigor e torna a vida mais lenta, mais cinzenta, mais distante de si mesma.
Entrelaçados, esses três conceitos revelam um mesmo alerta: viver no
limite não é sustentável. O estresse, quando não administrado, empurra
para a estafa; e a fadiga, quando ignorada, transforma-se em ferida aberta do
corpo e da alma.
Afeto, Doçura e Delicadeza: O Triângulo
da Sensibilidade Humana
Há palavras que não se leem apenas com os olhos,
mas com o coração. Afeto, doçura e delicadeza estão entre elas. Cada uma
nomeia um aspecto da sensibilidade, mas todas se encontram no mesmo território:
o da humanidade que se reconhece na ternura.
O afeto é a raiz. É aquilo que nos atravessa, aquilo que
sentimos antes mesmo de nomear. Ele pode ser alegria ou tristeza, esperança ou
desânimo, porque é sempre a emoção que nos movimenta. É o chão fértil sobre o
qual brotam os vínculos, sejam de amor, amizade ou até mesmo dor. O afeto é o
que nos torna permeáveis: o riso diante de uma boa notícia, as lágrimas diante
da perda, a emoção diante da beleza inesperada.
A doçura, por sua vez, é a forma como esse afeto se
apresenta quando o mundo se torna terno. Está no tom sereno de uma voz, no
sabor que acalma, no gesto que acaricia sem ferir. A doçura não exige
grandezas: basta um sorriso oferecido no momento certo para suavizar o peso de
um dia. É qualidade intrínseca, um modo de ser que transforma a aspereza em
melodia.
A delicadeza é o gesto que completa essa tríade. Diferente da
doçura, que nasce de dentro, a delicadeza é ação: é cuidado que se traduz em
movimento. Está no toque leve que consola, na palavra escolhida com tato, na
atenção aos detalhes que parecem pequenos, mas que revelam grandeza. Ser
delicado é, antes de tudo, evitar a rudeza, reconhecendo que tudo ao redor é
feito de fragilidade.
Juntas, essas três dimensões nos lembram de que a
vida não é sustentada apenas pela força ou pela razão. Precisamos do afeto para
sentir, da doçura para suavizar, da delicadeza para construir pontes sem
feridas. E talvez, no fundo, seja isso que mantém a humanidade de pé: não os
grandes feitos, mas os pequenos gestos que, silenciosamente, devolvem cor ao
cinza dos dias.
sábado, 26 de julho de 2025
Muitos acham que o dinheiro é o aspecto mais importante da vida e passam décadas buscando ganhar e acumular moeda ao máximo. Outros entendem que no banco há riqueza, mas não felicidade. Há quem priorize o amor, o desprendimento, a saúde física e mental, o tempo livre e as relações familiares e sociais.
Os 5 tipos de riqueza (Editora Intrínseca, 400 páginas, R$ 59,90), do consagrado Sahil Bloom, escritor, criador de conteúdo inspiracional, da newsletter The Curiosity Chronicle e da SRB Holdigns e sócio do fundo SRB Ventures, é um guia tranformador, profundo e consistente para a conquista da vida dos sonhos.
O autor ganhava milhões de dólares e levava uma vida "perfeita" na Califórnia. Sua busca incessante por mais e mais dinheiro o impedia de ver a beleza que tinha diante de si. Relacionamentos e saúde física e mental eram deixados de lado por ele em favor de conseguir sucesso a todo custo. O diálogo com um amigo sobre os pais de Bloom o acordou para grandes mudanças.
Nesta obra, dividida em cinco partes, o autor fala na busca de equilíbrio resultante da obtenção de riquezas de tempo, social, mental, física e financeira. Bloom acredita que a prosperidade não é um objetivo, e sim o caminho.
"Prosperar não é o estágio final - é uma jornada contínua. Sua vida não segue uma linha reta e constante no tempo. Ela oscila e tem fases naturais, cada uma definida por diferentes desejos, necessidades, prioridades e desafios", escreveu Sahil Bloom, que ensina a delegar tarefas neutras para ter mais tempo para lidar com a rotina, propõe estabelecer laços profundos e construir uma poderosa rede de contatos e incentiva a descobrir um propósito para estimular o crescimento contínuo. Ele igualmente incentiva a maximizar a saúde e a vitalidade, a alcançar independência financeira e definir o que é suficiente para os leitores para viver com a maior felicidade possível.
O livro de Bloom ajuda a interpretar nossa melhor trajetória, fazer as melhores escolhas, firmar bons propósitos e tomar decisões para ter uma vida com bem-estar e felicidade.
Idoso ou velho?
Quando eu estava na flor dos meus 40 anos, comecei a ouvir Bach, ler mais filosofia, pensar em Deus,na morte e outras finitudes e refleti sobre o que realmente era importante fazer da vida. Na época, pai de duas meninas de 6 e um ano, pensei que deveria cuidar da saúde física e mental para ver a Laura e a Marina crescerem. Elas cresceram. Têm hoje 35 e 30 anos e, há seis meses, me tornei avô da Valentina. Ser nonno aos 71 é uma inspiração para levantar mais cedo da cama e cuidar da mente e da lataria para poder ver a netinha completar quinze anos ou mais.
A passagem do tempo tira da gente algumas energias físicas e psicológicas, mas nos oferece manhas mentais para compensar. Já é muita coisa. É aquela história, é melhor prevenir as doenças que remediar. É melhor ser idoso do que velho. Idoso é o que não atirou a toalha e segue ativo feito um japonês que não costuma se aposentar nunca.
Como esta é uma página sobre livros, falo de alguns clássicos sobre velhice.
Sobre a Velhice - De Senectude de Cícero é um belo livro sobre envelhecimento. É o primeiro tratado filosófico ocidental sobre o tema. "Velho não é quem viveu muitos anos, mas quem perdeu o entusiasmo". Ele defende não temer a velhice e vivê-la com sabedoria, tranquilidade e liberdade dos desejos.
A velhice de Simone de Beauvoir trata do isolamento, exclusão, infantilização e descarte dos velhos. Para ela, não se nasce velho, torna-se velho.
Velhice e Tempo do genial Norberto Bobbio diz que a velhice não é trágica, é diferente. Para ele envelhecer é reorganizar a relação com o passado e o futuro, e o tempo, vivido mais lentamente, tem mais recordações que expectativas. "O tempo do velho é um tempo de síntese, não de construção."
Uma história da velhice do Brasil da consagrada historiadora Mary Del Priore mostra os idosos no Brasil através dos séculos e como foram símbolo de respeito, mas também de abandono ou exclusão.
Estamos vivendo mais tempo. No Brasil mulheres vivem em média 79 anos e homens 73. Precisamos nos preparar e ao País para um envelhecimento o mais saudável possível. Como já disse, na medida do possível é melhor prevenir as doenças do que depois ter de remediá-las. Questões envolvendo obesidade, depressão, diabetes, hipertensão e cardiopatias devem ser tratadas pelos pacientes, médicos, profissionais da saúde e os governos municipais, estaduais e federal devem fazer a sua parte, pois são questões de saúde pública e todos ganharemos com os esforços que pudermos fazer.
Acho que o Estatuto do Idoso deve ser mais respeitado e que os aposentados, especialmente os do INSS, merecem mais consideração, por tudo o que fizeram. Sabe-se que o dinheiro da Previdência já foi desviado para muitas obras públicas e recentemente os idosos sofreram descontos indevidos. Os responsáveis não foram punidos, mas os aposentados receberão ao menos em parte o que lhes foi surrupiado ilegalmente.
lançamentos
O guri da feitoria (Critério, 364 páginas), do celebrado médico-cirurgião plástico Carlos Oscar Uebel, traz, com belas fotos, a trajetória desde os tempos de menino, no interior de São Leopoldo, até a presidência da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética. Filho, irmão, marido, pai e avô, Carlos viveu e vive muitas vidas, com amor, alegria, estudo, trabalho e esperança.
Viagem no país da crônica (Tinta-da-China, 304 páginas, R$ 99,90), do grande escritor, cronista e jornalista Humberto Werneck, a partir do Portal da Crônica Brasileira do Instituto Moreira Salles, fala de crônica e da geração de ouro do gênero, com nomes como Antônio Maria, Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Rubem Braga e Rachel de Queiroz, entre outros.
InComum (Bá Editora, 224 páginas), de João Lopes de Almeida, empreendedor e agitador cultural , criador do Festival Sapere Aude, Facere Aude, apresenta uma coletânea de crônicas sensíveis, bem-humoradas e bem escritas sobre infância, trabalho, vida e muito mais. "Uma coisa eu tenho certeza sobre este livro. Assim como o autor, ele vai te ensinar, te provocar e te encher de energia e de ânimo", disse Niza Guanaes no prefácio.
a propósito...
Para viver mais e melhor, é preciso se relacionar bem consigo mesmo, com a família, os amigos, colegas e demais pessoas, dormir cedo e levantar cedo e ter bom sono, boa alimentação e praticar exercícios e meditação. É bom juntar as lições orientais com as ocidentais. Tive a felicidade de passar uma semana no Kurotel Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar em Gramado, onde fui muito bem acolhido, para cuidar da mente e do corpo. Foram dias com luz, água, sol, movimentos, ótima alimentação, descanso, equilíbrio. Descobri umas coisas que eu não sabia que sabia, que é para eu ir me reinventando por aí.
Jaime Cimenti
PROCRASTINAÇÃO
Às vezes, a gente
vive como se tivesse um estoque infinito de horas. Vamos empilhando adiamentos
como quem guarda caixas no sótão, dizendo para nós mesmos: “mais tarde eu abro,
mais tarde eu vejo, mais tarde eu vivo”. E assim a vida vai virando um eterno
“depois”.
Mas o depois é uma
ilusão confortável. Ele nos dá a falsa sensação de que temos domínio sobre o
tempo, quando na verdade é ele que nos domina. Vamos deixando telefonemas para
depois, visitas para depois, um abraço para depois. Deixamos aquele café com um
amigo para depois, aquela palavra de gratidão para depois, o gesto de amor para
depois. E, quando percebemos, o depois se transformou em nunca.
A procrastinação,
essa arte tão disfarçada de racionalidade, parece inofensiva. “Vou fazer quando
estiver mais tranquilo”, “quando sobrar tempo”, “quando as coisas acalmarem”.
Só que esse tempo sereno que esperamos nunca chega. O mundo nunca para de girar
para que a gente cumpra nossas promessas íntimas. E os adiamentos viram um
hábito, um costume confortável e silencioso. Vamos nos acostumando a perder
instantes preciosos, como se houvesse sempre um amanhã garantido.
Talvez seja por
isso que a delicadeza seja tão revolucionária: porque ela pede presença. Bordar
a vida - como quem dá ponto em um tecido áspero - exige parar, exige estar ali,
naquele exato segundo. Não dá para bordar no futuro; só se costura no agora. O
fio da delicadeza não aceita o compasso da pressa nem o adiamento das
prioridades do coração.
É curioso como,
quando olhamos para trás, quase sempre nos arrependemos mais do que deixamos de
viver do que daquilo que fizemos. O abraço que não demos, a palavra que não
dissemos, a visita que não fizemos. Quantos encontros guardamos no bolso para
um depois que nunca existiu?
Por isso, talvez
seja hora de um pequeno exercício: reinaugurar os gestos simples, sem
calendário marcado. Borde companheirismo no presente. Borde atenção na conversa
de agora. Borde cuidado no toque, no olhar, no tom de voz. Porque a vida não
avisa quando muda de cor; ela apenas muda.
O depois é sempre
incerto. Ele mora num lugar onde ninguém esteve ou conhece. É como um horizonte
que parece perto, mas nunca se alcança. Já o agora - este minuto exato - é o
tecido disponível, um tecido muitas vezes áspero, mas vivo. E nele dá para
costurar delicadezas.
Que a gente
aprenda a não esperar tanto. Que tenhamos a coragem de ser simples e gentis
agora, antes que a vida nos escape por entre os dedos, deixando apenas a poeira
dos “depois” que nunca vieram.
Uma linda tarde de Sábado pra você.
Mais do que os cinco sentidos: um
ensaio sobre a mulher e o indomável do feminino
Há coisas na vida que os cinco sentidos não dão
conta. Eles são, sim, portas poderosas: enxergam, tocam, provam, escutam,
cheiram. Mas tudo isso, por mais aguçado que seja, só alcança a pele do mundo.
O que é profundo, o que é essência, exige outro tipo de acesso. E é nesse ponto
que se encontra o mistério das mulheres.
Edson Marques, em um texto seu, no trecho que
inspira esta reflexão, diz: “Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes
toda a beleza”. E é verdade. Porque não se trata apenas de ver um rosto bonito
ou ouvir uma voz suave. A mulher é um território de complexidades. É história,
é memória, é sonho, é força e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Nenhuma retina,
por mais sensível, alcança tudo isso.
Um olhar superficial pode se deter nas curvas e nos
perfumes; um olhar profundo tenta entrar na alma. E para isso, não basta
enxergar: é preciso pressentir. Não basta ouvir: é preciso escutar o que não
foi dito. Não basta tocar: é preciso perceber o arrepio do silêncio.
A mulher é, antes de tudo, um universo. E quem
tenta reduzi-la ao que vê, perde-se. Ela carrega dentro de si gerações de
histórias, medos e coragem. Cada gesto tem uma origem antiga, cada palavra
carrega uma força que foi aprendida ao longo de séculos. Há dores guardadas que
os sentidos não captam. Há sonhos que só aparecem quando alguém olha sem querer
dominar.
E aqui está um ponto essencial: não se ama uma
mulher tentando explicá-la. Amar uma mulher é aceitar o mistério. É acolher
o fato de que há nela algo que ninguém jamais vai decifrar. Esse “algo” é a sua
liberdade de ser - livre até para mudar de rota a qualquer momento. Por isso,
um homem que realmente ama não tenta corrigir, moldar ou aprisionar. Ele dança
junto. Ele entra no sonho dela como quem entra numa música e se deixa levar.
Quando Edson Marques escreve “não lhes tiro a
liberdade, não quero mudá-las jamais”, ele toca naquilo que talvez seja o maior
respeito: permitir que a mulher seja um ser vivo em constante reinvenção. Nenhum
gesto é mais bonito do que este: olhar para uma mulher e dizer, em silêncio,
“eu te vejo como és, e é justamente assim que te quero”.
E há outra coisa importante: a mulher é um ser de
profundidades, mas também de superfície. É olhar, é pele, é sorriso. Não é um
enigma inalcançável; é um enigma disponível, mas que só se abre a quem sabe
chegar com delicadeza. Por isso, amar não é só contemplação: é participação. É
escutar suas histórias, beijar-lhe a boca e o riso, como diz o texto, entrar no
mundo dela como quem entra em um jardim que não é seu, mas onde é convidado a
caminhar.
Os cinco sentidos nos levam até a porta desse
jardim. Mas depois dela, só entram outros dois sentidos que não têm nome: o
sentido do respeito, e o sentido do assombro. O respeito, porque sem ele tudo
vira apropriação. O assombro, porque sem ele tudo vira costume, e costume mata
a beleza.
Há homens que envelhecem sem nunca perceber isso.
Passam pela vida colecionando conquistas, mas nunca entram de fato em ninguém.
Ficam na pele. E, ao final, descobrem tarde demais que a pele envelhece rápido,
mas a alma não.
E há outros - e Edson Marques se inclui nesse
segundo grupo - que entendem que amar uma mulher é um ato de admiração
contínua. Que cada olhar dela, mesmo depois de anos, é um lugar novo. Que a
beleza está no movimento, no sonho que ela sonha acordada, no fogo e na
suavidade que coexistem.
Por isso, talvez não baste um sexto sentido. Talvez
sejam necessários sete, oito, dez. Talvez a vida inteira seja pouco para compreender
uma única mulher. Mas não tem problema. O belo está em continuar tentando.
No fim, é isso: amar uma mulher é um exercício de humildade. Deixar que ela seja um espelho que nos mostra o que ainda não sabemos ver. e, por um instante, sentir que se entra num espaço sagrado, não para tomar posse, mas para agradecer.
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Após suspensão de obras de prédio de 40 andares no Centro Histórico, Melnick quer "solução consensual"
Incorporadora gaúcha pede que a Justiça Federal promova audiência de conciliação com a Associação dos Amigos do Museu Júlio de Castilhos (Ajuc), autora da ação contra a construção
14/01/2025 - 09h00min
Marta Sfredo
Reprodução / Reprodução
Projeto tramita desde 2022 na prefeitura de Porto Alegre.Reprodução / Reprodução
Em documento de 28 de novembro de 2024, a Melnick pede que a Justiça Federal promova audiência de conciliação com a Associação dos Amigos do Museu Júlio de Castilhos (Ajuc), autora de ação contra a construção de prédio de 40 andares na Rua Duque de Caxias, no Centro Histórico de Porto Alegre.
Conforme o presidente da Ajuc e advogado na ação, Cláudio Pires Ferreira, uma portaria da Secretaria da Cultura do Estado (Sedac) estabelece o limite de altura de construção no entorno do museu em 45 metros, ou 15 andares, um terço do previsto no projeto da Melnick.
Leia Mais
O pedido para encaminhamento à audiência de conciliação é destinado à desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha e ao colegiado da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Segundo o documento, o objetivo seria "viabilizar o contato entre as partes e favorecer o encontro de uma solução consensual para o deslinde do feito".
Pires Ferreira diz que a associação está aberta ao diálogo. No entanto, argumenta que não é de competência da associação mudar o limite de altura na vizinhança, ponto que impede o início das obras do edifício.
Não temos nada contra a construção civil, sabemos que é importante para a economia. Nossa preocupação é com a preservação do Museu Júlio de Castilhos, mais antigo do Estado. A construção descaracterizaria o entorno e reduziria a visibilidade.
Em nota enviada à coluna, a Melnick também diz que "está sempre aberta ao diálogo e a discussões sobre seus projetos". Ainda conforme a incorporadora gaúcha, a construção "atende aos anseios de apropriação do espaço pelos usuários e moradores do Centro Histórico" (veja íntegra abaixo).
As obras do prédio de 41 andares da Melnick ao lado do Museu Júlio de Castilhos estão suspensas desde janeiro de 2024. A decisão liminar da desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha foi resposta à ação da Ajuc.
Em abril, a construção foi "indeferida" – ou seja, não autorizada – pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae). Em julho, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região ratificou a decisão da relatora, Vivian Josete Pantaleão Caminha.
O que diz a Melnick
A Melnick está sempre aberta ao diálogo e a discussões sobre seus projetos, respeitando os interesses da comunidade e a legislação vigente. É fundamental o debate de toda a sociedade civil em prol do desenvolvimento e da revitalização de Porto Alegre. Com base nisso, foi desenvolvido um projeto que conversa com o bairro, enaltece a vista da cidade e harmoniza-se com a arquitetura do Centro Histórico. Todo o desenvolvimento contempla adequações para que o futuro empreendimento converse com as necessidades dos tempos atuais e com as características topográficas do terreno, que também tem frente com a Rua Fernando Machado.
O projeto atende também aos anseios de apropriação do espaço pelos usuários e moradores do Centro Histórico. Por conta disso, foi pensado para um boulevard com lojas, comércio, serviço e conveniência, todos abertos ao público, proporcionando novas opções de gastronomia, entretenimento e contemplação, gerando circulação de pessoas e promovendo uma real revitalização para a região.
O boulevard, com características de uma grande praça coberta, realizará uma conexão do trecho alto do Centro Histórico, ou seja, da Duque de Caxias, com a parte baixa, a Fernando Machado, através de elevadores panorâmicos e escadas, otimizando o dia a dia dos usuários pela acessibilidade, visto que a conexão atualmente é feita através de vias públicas bastante íngremes.
*Colaborou João Pedro Cecchini
Aprovado projeto da Melnick com torres de 66 metros de altura onde são permitidos 52 metros
Estudo de viabilidade urbana teve 20 votos favoráveis, quatro contrários e duas abstenções
31/10/2024 - 15h35min
Atualizada em 31/10/2024 - 17h42min
Marta Sfredo
Melnick / Divulgação
Terreno tem frente para a Avenida Ipiranga, Silva Só e Felipe de Oliveira.Melnick / Divulgação
Está aprovado pelo Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) de projeto da Melnick para construir empreendimento com três torres residenciais — duas de 66 metros de altura e uma de 56 metros — onde ficava o antigo Ginásio da Brigada.
A intenção da construtora, a partir da aprovação, é encaminhar o projeto de arquitetura, com previsão de iniciar as obras em 2025. A área foi negociada entre a Melnick e a Verdi, que a havia recebido em pagamento pela construção do presídio de Sapucaia do Sul. As torres de 66 metros de altura vão ter 23 pavimentos, e a torre de 56 metros, 20.
A altura máxima permitida para região, no entanto, é de 52 metros, ou 17 andares. O secretário do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, Germano Bremm, afirma que, para aprovar empreendimento com altura superior à autorizada pelo Plano Diretor, é necessário tramitar como projeto especial de impacto urbano.
É muito comum, 66 metros (de altura) para aquela região é muito tranquilo. Não é nada que não se tenha, de forma tradicional, aprovado em Porto Alegre. A gente tem vários prédios que ultrapassam (os 66 metros) — afirma Bremm sobre a exceção aberta.
O secretário observa, ainda, que a aprovação teve "ampla maioria". Foram 20 votos favoráveis, quatro contrários e duas abstenções. Para aprovação do estudo de viabilidade urbana de projetos especiais, aponta o secretário, características do projeto são consideradas, da localização ao uso do empreendimento.
Primeiro, é feita análise técnica do município, que avalia as condições do projeto, se tem interlocução com patrimônio histórico, características da via, para autorizar o acréscimo de altura. É um terreno grande, então comporta esse tipo de projeto, que conversa estritamente com o que entendemos adequado para a cidade, possibilitando maior adensamento e uso misto do espaço (com comércio e residências), que também, do ponto de vista de sustentabilidade e crescimento, é extremamente adequado.
Foram apresentadas condições de mobilidade, circulação e trânsito, além de amortecimento pluvial e implementação de áreas de lazer equipadas. Uma das intenções da Melnick é transformar a esquina emblemática em uma referência de gastronomia.
Agora, o estudo de viabilidade urbana vai para homologação da prefeitura de Porto Alegre. Depois, é necessária a aprovação do projeto arquitetônico, de responsabilidade da Melnick, para alcançar o alvará de construção. A empresa tem até 18 meses para apresentar o projeto arquitetônico.
*Colaborou João Pedro Cecchini
Com câmbio favorável, argentinos tomam conta de praias gaúchas; ocupação em hotéis chega a 60%
Valorização do peso e desvalorização do real ante o dólar tornam viagens de argentinos para o Exterior mais baratas do que dentro do país, aponta especialista
Guilherme Milman
Jonathan Heckler / Agencia RBS
Família argentina divide o mate na beira da praia de Capão da Canoa.Jonathan Heckler / Agencia RBS
Quem caminha pela praia de Capão da Canoa não leva muito tempo até ouvir uma conversa com sotaque castelhano. As camisetas de times argentinos, as cuias de mate e as placas de carro do país indicam a invasão hermana no Litoral Norte. Houve um aumento significativo de argentinos nesta temporada em relação ao verão anterior. Entidades ouvidas pela reportagem apontam o contexto econômico de Brasil e Argentina como a principal explicação para esse fenômeno (entenda mais abaixo).
A quantidade de turistas vindos do país vizinho vem sendo notada desde o mês passado no Rio Grande do Sul. Segundo dados da Polícia Federal, a entrada dos hermanos pela fronteira em Uruguaiana aumentou quase 50% em dezembro, comparado ao mesmo período do ano anterior. Foram 45.515 passagens pela aduana; enquanto, em dezembro de 2023, foram 30.585 — o que representa 48%.
Já nas praias, a presença maior de argentinos foi percebida principalmente após a virada do ano. A família da professora Carolina García, 44 anos, viajou pela primeira vez a Capão da Canoa. Ela, o marido e o filho percorreram mais de 1,3 mil quilômetros de carro desde o norte do país, na província de Chaco, onde vivem.
— Trouxemos nosso filho, Santino, de 10 anos, para conhecer o mar. Antes, quando éramos namorados, visitamos outras praias do Brasil, como Rio de Janeiro, Búzios e Camboriú — conta a turista, destacando que a praia gaúcha é mais próxima da Argentina do que as demais.
Movimento nos hotéis
Em grande parte dos hotéis do Litoral Norte, a língua predominante já é o espanhol. Conforme o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Litoral Norte, na primeira semana de janeiro, a média de ocupação de turistas argentinos nos hotéis e pousadas é de 60%. Isso significa que, a cada 10 hóspedes, seis são do país vizinho.
O proprietário do Capão Mar Hotel, Milton Monteiro Júnior, conta que a hospedagem dos argentinos triplicou neste verão em relação ao ano passado.
Particularmente, eu não esperava o aumento neste ano. Isso é muito importante para o litoral gaúcho, pois sustenta um período de dia de semana (que costuma ser mais baixo com visitantes brasileiros). Acredito que a tendência é que, nos próximos anos, aumente ainda mais — conta.
A diretora do sindicato, Ivone Ferraz, destaca que este é o maior movimento dos últimos 10 anos. No hotel do qual é dona, a ocupação dos argentinos chega a ser de 80%.
Já vínhamos tirando essa febre desde o ano passado, quando notamos o interesse dos argentinos pelas nossas praias durante uma feira de turismo em Buenos Aires. A procura pelo litoral gaúcho ganhou ainda mais força em razão dos diversos pontos interditados para banho em praias catarinenses.
Jonathan Heckler / Agencia RBS
Placas de carros argentinos são facilmente vistas no litoral norte.Jonathan Heckler / Agencia RBS
Em outras praias, como em Torres, a visita dos estrangeiros também aumentou. O que chama a atenção nesse caso, é o perfil dos turistas e também o breve período de tempo que eles permanecem na cidade, observa o secretário de Turismo do município, Gabriel de Mello.
A gente está percebendo um movimento mais sazonal. Eles vêm de passagem, ficam um ou dois dias e vão para outras praias em Santa Catarina. Depois voltam e, no caminho para casa, ficam mais um ou dois dias. Nesta primeira quinzena, estamos vendo mais casais de jovens ou idosos e menos famílias, mas isso deve mudar a partir da segunda quinzena de janeiro.
Contexto econômico
Entre os motivos que explicam esta onda azul e branca nas praias gaúchas, o principal é o aumento do poder de consumo. Moradores de Entre Rios, província próxima à fronteira gaúcha, Maria Jacinta, 20 anos, e sua família decidiram percorrer a costa brasileira neste ano. Após passar o Réveillon em Bombinhas, Santa Catarina, pararam em Capão da Canoa para passar dois dias. Além da beleza do mar, mais limpo nesta temporada, a argentina destaca a facilidade para fazer compras como uma vantagem de ir ao Brasil.
Como está mais barato aqui, compramos mais, vamos ao shopping, ao centrinho. Os preços aqui na praia, como do milho e de outras comidas, também são muito baratos. Estamos vendo muitos argentinos aqui nos últimos dias, pois a economia está melhor — conta.
Jonathan Heckler / Agencia RBS

Família de turistas argentinos passa alguns dias em Capão da Canoa, após Réveillon em Santa Catarina.Jonathan Heckler / Agencia RBS
O aspecto trazido por Maria é compartilhado por outros turistas e por entidades questionadas pela reportagem. Conforme a Câmara de Comércio Argentina Brasileira de São Paulo (Camarbra), a Argentina teve uma valorização da sua moeda no último ano, o que proporcionou facilidade para adquirir dólares e maior poder de compra no exterior. Do lado de cá, o real vem em um movimento oposto, de desvalorização.Na prática, para os hermanos, o custo passou a ser mais barato no Brasil do que no seu próprio país. Da mesma forma que, para os brasileiros, atravessar a fronteira se tornou mais caro.
— O argentino está acostumado a pensar tudo em dólar: "quanto meu salário em pesos significaria em dólar". Com uma moeda mais estável e mais valorizada, faz muito mais sentido para o argentino pensar em viajar para lugares que eram impossíveis. Porque antes, se trocasse o seu salário em peso por dólar, era um valor muito baixo. Agora, trocar seu dinheiro significa ter muito mais dólares. Com mais dólares e um real desvalorizado, traz mais benefícios — explica Constanza Bodini, diretora da Camarbra.
domingo, 12 de janeiro de 2025
Preço dos imóveis à venda em Porto Alegre teve o quinto menor crescimento entre as capitais em 2024
Conforme o Índice FipeZAP, variação positiva média no preço dos imóveis à venda na Capital foi de 6,44% no ano passado. Valor ficou abaixo do aumento na média nacional, que foi de 7,73%, mas acima do IPCA, que acumulou 4,83% no último ano
10/01/2025 - 17h57min
Mathias Boni
Andréa Graiz / Agencia RBS
Porto Alegre ficou em 18º lugar entre as capitais com maior valorização dos imóveis à venda em 2024, segundo Índice FipeZAP.
Andréa Graiz / Agencia RBS
O preço dos imóveis residenciais à venda em Porto Alegre registrou crescimento de 6,44% ao longo de 2024, demonstra o Índice FipeZAP, referência no mercado imobiliário. Apesar de ficar acima do IPCA acumulado do último ano, que foi 4,83%, o aumento foi inferior à variação positiva dos preços na média nacional, de 7,73%, fazendo da variação positiva em Porto Alegre a quinta menor entre as 22 capitais estaduais do país pesquisadas no estudo.
Conforme o Índice FipeZAP, que ao todo pesquisa 56 cidades brasileiras, a capital estadual que teve o maior aumento no preço dos imóveis residenciais à venda em 2024 foi Curitiba, com 18%, seguida por Salvador, com 16,38%, e João Pessoa, com 15,54%. Abaixo de Porto Alegre, ficaram Campo Grande, com 4,08%, Brasília, com 3,71%, Rio de Janeiro, com 3,13%, e Teresina, com 2,80% (veja a lista completa abaixo).
— O índice nacional como um todo teve um crescimento significativo, sendo o maior desde 2013. Porto Alegre também teve crescimento, de 6,44%, mas que foi mais comedido em razão de fatores como a enchente, por exemplo, que teve um impacto generalizado na cidade, mas principalmente nas áreas inundadas. Isso acarretou uma diminuição no preço dos imóveis ali localizados que não foi compensada pelo menor aumento no preço dos imóveis de áreas que foram poupadas pela cheia — destaca Marco Aurélio Stumpf Gonzalez, professor dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo na Unisinos, pesquisador e especialista em mercado imobiliário.
Na avaliação de Matheus Kurtz, diretor de vendas e franquias da imobiliária Auxiliadora Predial, a valorização imobiliária abaixo da média nacional em Porto Alegre pode ser explicada também pelo desequilíbrio entre oferta e demanda.
— O elevado estoque de imóveis usados e o tempo médio de venda superior ao de capitais como Curitiba e Salvador reduziram a pressão por aumento de preços, mesmo com uma demanda ativa — diz Kurtz.
O crescimento de 6,44% no preço dos imóveis à venda em Porto Alegre, segundo o Índice FipeZAP, é o maior desde 2013, primeiro ano da série histórica, quando o aumento foi de 14,01%. O dado vem apresentando crescimento contínuo na Capital desde 2019, com variação positiva anual de 0,12%, 2,59%, 5,54%, 2,42% e 2,20% a partir daquele ano, até chegar aos 6,44% de 2024.
A variação dos preços dos imóveis em Porto Alegre no mês de dezembro, em relação a novembro, foi de 0,50%, ante 0,66% na média nacional. O preço médio do metro quadrado na Capital foi, em dezembro, de R$ 7.111 — abaixo dos R$ 9.366 da média dos 56 municípios presentes no levantamento.
Bairros mais valorizados
Entre os bairros de Porto Alegre, o que teve a maior valorização no preço dos seus imóveis à venda em 2024 foi o Rio Branco, com crescimento de 21,8%. O preço médio do metro quadrado no bairro também é o mais alto da Capital, avaliado em R$ 10.537.
Após o Rio Branco, vem o bairro Montserrat, com variação positiva de 8,7% e preço médio do metro quadrado em R$ 10.204. Na sequência, vêm os bairros Bela Vista, com valorização de 7,7% e metro quadrado avaliado em R$ 9.878; Moinhos de Vento, com valorização de R$ 3,9% e preço do metro quadrado em R$ 9.839; e Petrópolis, com valorização de 10,9% e com o metro quadrado avaliado em R$ 9.538.
O Centro Histórico foi uma das regiões da Capital mais atingidas pela enchente de maio passado. No bairro, os imóveis valorizaram apenas 2,3% em 2024, com o metro quadrado médio avaliado em R$ 5.185.
— Essas regiões mais nobres da cidade, as que não alagaram e que se localizam em regiões mais altas e distantes do Guaíba, tendem a ter maior valorização anual, principalmente após a enchente. Enquanto a enchente ainda for uma memória viva na população, os imóveis dos bairros atingidos serão menos valorizados, mas isso poderá mudar se as obras de reforço no sistema contra cheias da Capital se mostrarem de fato efetivas — analisa Moacyr Schukster, presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-RS).
Venda de imóveis
Porto Alegre registra uma das menores variações no preço de imóveis vendidos em 2024
Variação acumulada no ano (2024)
Comparativo entre capitais (%)
Variação do preço de imóveis por bairro
Preço médio em dezembro e variação em 12 meses, em R$
Preço médio por bairro de Porto Alegre












